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terça-feira, 12 de abril de 2016

Bico calado

Imagem pescada aqui.
  • O 1% esconde o seu dinheiro nas offshores e depois usa-o para corromper a nossa democracia, por Aditya Chakrabortty in The Guardian 10abr2016: 1 «Revelações como as dos LuxLeaks e dos Panama Papers poderão tornar-se mera diversão e arma de arremesso entre fações e falhar o alvo do que realmente interessa ao debate público: os Panama Papers não se ficam pelos impostos ou pelo dinheiro; eles retratam a corrupção da nossa democracia»;  2 «Na senda dos LuxLeaks, os Panama Papers confirmam que os super-ricos estão fora do sistema económico em que o resto do pessoal tem de viver. 30 anos depois, o sistema está tão sofisticado que eles já não seguem as mesmas regras que somos obrigados a seguir. Para cúmulo, o 1%, que está fora, que saiu, mantém a sua voz, o seu poder para impor as regras que temos que seguir. Como? Por exemplo, comprando influência política. Vejam a influência das fortunas dos Irmãos Koch na campanha eleitoral norte-americana, ou as contribuições feitas aos Conservadores britânicos em 2010»; 3 «Aprendi nas aulas de política que o Reino Unido era uma democracia representativa. Mas 30 anos de plutocracia produziram uma era de democracia não-representativa. Salvo raras exceções, os nossos políticos já não são como nós nem trabalham para nós. Em plena crise do mercado de arrendamento, temos um ministro da Habitação, Brandon Lewis, que administra uma carteira de arrendamento privado. Tem um ex-banqueiro de investimento, Sajid Javid, garantindo que fazer o seu melhor pela indústria siderúrgica. E tem um super-rico primeiro-ministro que jura que vai atacar os paraísos fiscais, ao mesmo tempo que bloqueia todas as tentativas sérias de o fazer.»
  • Panama Papers: atuem já, não esperem por outra crise, por Thomas Piketty in The Guardian  9abr2016: 1 Os LuxLeaks e os Panama Papers revelaram a dimensão da evasão fiscal levada a cabo pelas elites financeiras e políticas. Os jornalistas têm cumprido o seu dever. O problema é que os governos não o têm cumprido. Quase nada foi feito depois de 2008; 2 A concorrência fiscal relativa aos impostos sobre os lucros das multinacionais está a atingir níveis exacerbados. O Reino Unido quer reduzir a sua taxa para 17%, enquanto continua a proteger as práticas predatórias das Ilhas Virgens e de outros offshores sob domínio da Coroa. Se nada for feito, poderá atingir os 12% praticado pela Irlanda. Nos EUA, o imposto federal sobre os lucros é de 35%, que não inclui os impostos aplicados pelos estados e que oscilam entre os 5 e os 10%; 3 A fragmentação política da Europa e a falta de uma forte autoridade pública faz-nos reféns dos interesses privados. Mas há uma saída: se 4 países, - França, Alemanha, Itália e Espanha -,  que em conjunto representam 75% do PNB e os cidadãos da eurozona avançarem com um tratado baseado na democracia e na justiça fiscal e que aplique um sistema de impostos comum para as multinacionais, poderão arrastar os outros países a fazer o mesmo; 4 Não podemos continuar a viver na ilusão de que o problema poderá ser resolvido de forma voluntária pedindo aos paraísos fiscais que deixem de se portar mal. É urgente acelerar o processo e impor sansões comerciais e financeiras pesadas sobre os países que não cumprem rigorosamente as regras. Só aplicando repetidamente essas sansões se poderá acabar com a impunidade e falta de transparência que agora existe, só assim se poderá credibilizar o novo sistema.
  • Aos papeis, por Rui Tavares in  Público 11abr2016: «(…) Resolver o problema da evasão fiscal global e da ocultação de património divide-se em três partes: o quê, como e quando. Vamos à primeira, que não é excessivamente complicada: para ter ou manter licença bancária, os bancos têm de passar a dar toda a informação sobre a sua atividade offshore; é preciso saber quem tem o quê, com um registo integrado de acionistas de empresas e um registo atualizável de beneficiários finais dos ativos em banca; os testas-de-ferro devem ser legal e criminalmente responsabilizados por ação e omissão na lavagem de dinheiro; os bancos devem realizar as diligências devidas na identificação dos beneficiários finais. Também ajudaria criar uma unidade de combate ao crime económico e financeiro ao nível da UE. No “como”, aliás, é esta a questão decisiva: a que escala agir? A nível nacional é demasiado difícil ter impacto, e esperaríamos uma eternidade para poder passar da inação a ter finalmente ações a nível global. A escala certa é a de um mercado (ou mais do que um) suficientemente grande para não poder ser ignorado, como provaram os EUA com a Suíça ou, apesar de tudo, a UE com a diretiva anti-lavagem de dinheiro. A ação à escala continental pode, aí sim, levar à adoção de medidas globais. O “quando” agir é agora. (…)Lembrem-se: este é o dinheiro que falta aos nossos hospitais e escolas e que, em termos mais gerais, permitiria erradicar a fome no mundo, combater as alterações climáticas ou ajudar a preparar-nos para o impacto da mudanças tecnológicas no mercado de trabalho.» 
  • Porquê os «Papéis do Panamá»? por Thierry Meyssan in Voltaire: «(…) No decurso dos últimos oito anos, assistimos a numerosas reuniões do G8 e do G20 que estabeleceram todo o tipo de regras internacionais, supostamente para prevenir a evasão fiscal. No entanto, uma vez estas regras adoptadas por todos, os Estados Unidos – e, em menor escala Israel, a Holanda e o Reino Unido - isentaram-se delas, a si próprios (…) Mas o ICIJ, que já tornou públicos mais de 15 milhões de ficheiros informáticos desde a sua criação, jamais atacou os interesses dos Estados Unidos. Ela não pode, portanto, de certeza pretender agir por preocupação de justiça. (..:) Os jornalistas do International Consortium of Investigative Journalists não se colocaram nenhuma interrogação ética. Eles aceitaram trabalhar com documentos roubados, e escolhidos de avanço, sem ter a menor possibilidade de conferir a sua autenticidade. (…) A Carta de Munique estipula que os jornalistas só publicarão informações cuja origem é conhecida, que eles não suprimirão informações essenciais e não alterarão os textos e os documentos; finalmente, que eles não usarão métodos desleais para obter informações, fotografias e documentos. Três requisitos que eles violaram, com perfeito conhecimento de causa, o que deveria excluí-los de organismos profissionais e provocar a saída dos directores da BBC, da France-Télévisions, da NRK, e por que não da Radio Free Europe / Radio Liberty (a rádio da CIA, a qual é também membro do Consórcio de Jornalistas). (…)»
  • O milionário israelita Dan Gertler, que fez a sua fortuna em diamantes e mineração, é referido mais de 200 vezes nos Panama Papers. Mint Press News.
  • Suite 605 (2): «O facto de mil empresas gerirem os seus negócios a partir de uma sala de 100 m2 com uma única linha de telefone é uma situação normal para algumas pessoas com poder e responsabilidade política. Uma simples conta aritmética revela que cada empresa ocupa uma área de apenas 0,1 m2. Esta situação poderia ser alarmante para a Inspeção Geral do Trabalho. Mas os trabalhadores destas empresas nunca apresentaram uma queixa, nunca fizeram uma greve, nunca procuraram ser ouvidos. O silêncio acontece porque a maioria das empresas não possui funcionários nos seus quadros. São empresas-fantasma que não criam riqueza na Madeira, não têm trabalhadores locais, nem pagam impostos, mas que usam o Funchal para camuflar os lucros internacionais das grandes companhias.» João Pedro Martins, Suite 605 – SmartBook 2011, p4

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bico calado

Imagem capturada aqui.
  • «(...) Podem fazer alguma coisa? Podem fazer tudo. Repito: podem fazer tudo. E acrescento: mas não querem. Podem fazer tudo, mas não querem — esta é a frase que melhor resume o “problema para a democracia”. E não querem por dois motivos. Um de fraqueza política, — a maioria dos políticos europeus são gente frágil à frente de países fragilizados, uma combinação de que resulta uma imensa fraqueza para lidar com interesses poderosos, como são os que estão por detrás e pela frente dos offshores. O outro é a hegemonia nos partidos de direita, e em muitos socialistas subservientes, de uma mistura entre ideias sobre a economia, sobre o Estado, sobre as empresas, sobre a governação dos países, que corresponde ao “pensamento único” que tem presidido à política da Comissão Europeia, do Eurogrupo, aos partidos do PPE, e que tem levado a cabo a política de Schäuble e dos alemães e de alguns outros países seus aliados.(...) Também nos offshores se verifica a escassíssima vontade dos políticos europeus, que tem à sua cabeça institucional o senhor Juncker, que tem no seu currículo ter feito enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo todo o tipo de acordos ilegais, insisto, ilegais, à luz das regras europeias, destinadas a levar para o seu país empresas que aí encontravam um paraíso fiscal protegidas pelo segredo de Estado. Ou no caso do Reino Unido, em que dezenas de offshores estão em territórios sob soberania britânica. (...) A solução da questão dos offshores é simples, se tivermos vontade para a aplicar. E desconfiem de quem venha com muitas complexidades e complicações, é sempre mau sinal. Insisto, não é muito complicado: trata-se de comparar o dinheiro dos offshores com o dinheiro dos terroristas. Um rouba, em grande escala, Estados e povos, o outro mata. Um mata à fome em África, outro nas ruas de Paris ou em Nova Iorque. Um destrói economias, poupanças, classes médias criadas com muitos anos e esforços para progredir, outro escraviza povos e reduz a ruínas países já muito pobres. É uma comparação que admito ser excessiva, mas, se partirmos dela, talvez possamos compreender (ou não) por que razão aquilo que se admite em termos de recursos de investigação, penalizações duríssimas, confisco de bens do crime ou da droga, ou da corrupção ou da fuga ao fisco, e se aplica ao dinheiro do terrorismo, se pode aplicar ao dinheiro ilegal dos offshores. Ah! Já estou a ouvir em fundo: “Mas muito desse dinheiro é legal.” Ai é? Então, qual é o motivo por que em vez de estar inshore vai para os offshores? Deixem-se por isso de falsos espantos e falsas surpresas. Tudo o que está nos “Documentos do Panamá” não é novidade para ninguém. Como não é novidade para ninguém o discurso de “não se pode fazer nada”. Mas, se queremos salvar a democracia no século XXI, o problema do dinheiro anónimo, escondido, fugido e protegido algures numa caixa de correio humilde de uma casa nas Ilhas Caimão, ou num cacifo acolchoado de um luxuoso escritório de advogados no Panamá é objectivamente mais dissolvente do que os tiros de uma Kalashnikov nas ruas de Bruxelas. Faz-nos pior, porque os tiros são-nos exteriores, são do “inimigo”, e os biliões das Ilhas Virgens são de dentro, dos “amigos”.» José Pacheco Pereira in Offshores: não é uma questão fiscal, é uma questão de democraciaPúblico de 9abr2016.
  • Suite 605 (1) «No dia 13 de Agosto de 1980, o governo liderado por Francisco Sá Carneiro elabora um Decreto-lei para a criação da Zona Franca da Madeira. No preâmbulo do documento lê-se que o novo diploma legal visa promover “aparecimento de novos sectores industriais voltados para o desenvolvimento económico e social da Região”» João Pedro Martins, Suite 605 – SmartBook 2011, p7.