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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

REFLEXÃO

ÀS VEZES, ESQUECEMO-NOS DE ONDE VIEMOS.

Bairro da Minhoca, 1938.

Há cem anos, nas traseiras do Hospital do Rego e da estação de comboio, foi captada a mais antiga fotografia que conheço de um bairro clandestino que então começava a ganhar volume.

Sem regras nem dinheiro, cada um construía a sua casa no pequeno monte que hoje corresponde às traseiras da rua da Beneficência. Chamaram-lhe o Bairro da Minhoca ou das Minhocas porque em várias habitações a entrada só podia ser feita a rastejar. As imagens da colecção de O Século são eloquentes: em década e meia, boa parte da elevação já estava preenchida num bairro sem ruas, onde os esgotos corriam a céu aberto… a 500 metros dos palacetes da Avenida da República.

Os mais afortunados ocupavam as casas do novo bairro do Rego (onde Francisco Paula, o Pavel, viria a ser detido pela polícia numa tipografia clandestina).

A partir de 1937, o tema esteve sempre na agenda camarária e há várias fotos de visitas oficiais ao local e de promessas de realojamento. Em 1939, ocorreram as primeiras demolições e, em 1942, o bairro estava finalmente deitado abaixo e os habitantes realojados em Telheiras.

Há um século, Lisboa também era assim. Às vezes, esquecemo-nos.

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