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sexta-feira, 31 de julho de 2026

REFLEXÃO

LIÇÃO DE HISTÓRIA: 12 000 TRABALHADORES CHINESES CONSTRUÍRAM A LINHA FERROVIÁRIA TRANSCONTINENTAL DOS EUA
Bruce K. Gagnon, Organizing notes. Rev. O’Lima.


Estavam nas montanhas onde os outros todos já tinham recusado. As paredes de granito da Serra Nevada erguiam-se como uma barreira destinada a deter a própria história e, durante algum tempo, foi isso mesmo que aconteceu. As primeiras equipas contratadas pela Central Pacific Railroad abandonaram o projeto, derrotadas pela altitude, pela neve e pelo perigo.

Então, a empresa recorreu aos trabalhadores chineses que já viviam na Califórnia. Foram contratados cinquenta homens. Não desistiram. Em poucos anos, mais de 12 000 trabalhadores chineses constituíam quase toda a força de trabalho, escalando no meio de tempestades e gelo por salários mais baixos, pagando a própria comida e dormindo em acampamentos precários enquanto o inverno cobria as montanhas à sua volta.

Eram ridicularizados por serem fracos, mas conseguiram o que outros não conseguiram. Pendurados em cestos sobre penhascos no Cabo Horn, perfuraram rocha sólida, colocando explosivos à mão enquanto o vento soprava sob os seus pés. Ao atravessarem o Donner Summit, escavaram túneis através de granito inflexível usando apenas pólvora negra e a força dos seus músculos.

As avalanches arrasaram os acampamentos. As explosões ceifaram vidas que os registos mal registaram. Em 1867, milhares de trabalhadores chineses organizaram uma das maiores greves laborais do século XIX, exigindo salários justos e horários de trabalho dignos. Em resposta, os abastecimentos foram cortados, e a fome foi usada como arma até que a sobrevivência os obrigou a regressar ao trabalho. Ainda assim, a 28 de abril de 1869, as suas equipas instalaram dez milhas de via-férrea num único dia — um feito nunca superado.

Quando o último prego foi cravado em Promontory Summit, a 10 de maio de 1869, reuniram-se dignitários, proferiram-se discursos e as fotografias imortalizaram o triunfo de uma nação unida de costa a costa.

Pediram aos homens que tornaram aquele momento possível que se afastassem antes de as câmaras dispararem. O seu trabalho estendeu-se por 1 776 milhas, unindo os EUA, enquanto o reconhecimento lhes passava ao lado e até a cidadania permaneceu fora do seu alcance durante décadas.

A ferrovia transformou um continente, mas o silêncio em torno desses trabalhadores durou quase tanto tempo quanto os próprios carris — e isso leva-nos a questionar-nos quantos alicerces da história foram construídos por mãos que o mundo preferiu ignorar.


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