“MAIS CABRAS NOS MONTES E MENOS CABRÕES NAS INSTITUIÇÕES”
Foi uma semana rica no Absurdistão, em vários temas, exames, politécnicos, peles da Rússia e cabras no monte. Vejamos. O Governo paga 2,5 milhões à Deloitte para digitalizar papéis e 1 euro por resposta aos classificadores. Como os classificadores deram este trabalho gratuito, estes dados, à IA, durante este inesquecível mês de Julho - sem um dia de greve, um - para o ano esta tarefa será certamente feita por classificadores externos porque a Agência para a Gestão do Sistema Educativo - já não existe Ministério - é agora um Instituto público com possibilidade de contratar serviços privados, ou seja classificadores. Que aliás acabaram de receber ontem via Deloitte um aviso de contabilidade do tempo como o Sr que arranja a minha máquina da Mielle - "está em sua casa entre as 17:53 e as 17:55". Kean Loach fez um filme sobre isto, Desculpem, passei aqui/tenho saudades de ti/esqueci-me de ti (um belíssimo trocadilho que a tradução não deu conta).
Vejam que nunca usei o termo educação nos exames - educação não são exames, de cruzes, muito menos um professor é um classificador. Tudo isto é transferência de impostos da educação dos nossos filhos e netos para as empresas de tecnologia. Tudo isto vem do PRR, da União Europeia, que diz que os helicópteros russos não podem apagar fogos, estão parados sem importação de peças, mas peles para a indústria de luxo Italiana estão liberadas, que eu vejo sempre Lagarde com os melhores vestidos italianos.
Há mais - o CEO da Agência, Fernando Alexandre, a quem ainda chamam Ministro, quando ele mesmo acabou com o Ministério - anunciou a criação de duas universidades...como? Não, a passagem de politécnicos a Universidades que a primeira coisa que fez foi um despedimento coletivo de dezenas de colegas nossos - porventura centenas - de professores que não passam de uma instituição a outra, não têm antiguidade, etc. Uma espécie de pacote laboral da função pública. Segue de vento em popa nas Universidades pelo país fora, numas mais noutras menos, o despedimento de professores convidados, outro despedimento colectivo tratado apenas como mais um regular acto de gestão.
O Governo da Spinumviva anuncia que os pescadores de costa, os pequenos, muitos idosos, que têm margens de lucro de 2%, são obrigados a pescar o dobro de 12 mil para 24 mil euros ou então ficam sem licença...(vejam a belíssima reportagem em video e artigo do jornalmaio.org estivemos lá, eu mesma também, a ouvi-los, deixo o link nos comentários). Há mais:
Nunca subestimem o que a burguesia mundial faz para se manter no poder. Foi dito por esta gente que as casas do ciclone Kristin não estão reconstruídas "porque não há mão de obra", mas que os investimentos em guerra em Portugal - com jovens a montar drones que matam em Gaza onde influencers se passeiam -estão de boa saúde - 5,8 mil milhões -o que daria para renovar 200 mil casas. Informação importante - a margem de lucro da indústria de guerra é 12%, não são pescadores de carapau.
Uma senhora num canal de Tv espanhola explicou que a serra de Madrid/Ávila ardeu como papel porque a gestão das aldeias e terras foi retirada às populações, com as leis da União Europeia de Rede Natura, protecção disto e daquilo, o que aconteceu foi a abertura para transformar o sul da Europa em minas de lítio e painéis solares. Ela termina, partilho aqui em link o vídeo, inimitável, zangada, furiosa, com uma frase que podemos guardar para o nosso querido mês de julho, queremos auto gestão democrática dos povos e "mais cabras nos montes e menos cabrões nas Instituições".
Nota: “mais cabras nos montes e menos cabrões nas Instituições”, Duas Linhas.
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