MEIOS E FINS: DIGITALIZAÇÃO E EXAMES
Jorge Fonseca de Almeida, Blog da Ordem dos Economistas.
"A confusão entre meios e fins acarreta sempre erros de perceção graves e, muitas vezes, decisões contraproducentes. O que se passou com os exames nacionais configura este tipo de equívoco por parte do Ministro.
Comecemos por estabelecer a ordem correta. Exames com correção mais fiável, anónima, rápida, eficiente e a custos mais baixos são fins. A digitalização não passa de uma técnica, entre outras, para atingir aqueles fins.
Deste ponto de vista erigir a digitalização a fim em si mesma e, por essa vi, destruir todos os verdadeiros fins que se almejam é um erro de proporções tais que colocam quem toma tal decisão no patamar da pura incompetência.
Portugal dispunha de um sistema de exames. Podia ser melhorado? Sim. Pode a mera digitalização contribuir para esse desidrato? Não. Apenas o consegue se se mostrar mais fiável, mais rápida, oferecer uma maior anonimidade, for mais eficiente e mais barata.
O que aconteceu? O Ministro implementou um projeto que se tem revelado mais lento (as datas estabelecidas tiveram de ser adiadas várias vezes), mais complicado, menos anónimo (alunos receberam testes com folhas de resposta de outros alunos), nemos fiável (notas em suspenso, aumento do número de reapreciações pedidas pelos pais), menos eficiente (implicou trabalho ao sábado, ao domingo e muitas horas extraordinárias) e, provavelmente muito mais caro. Se isto não é a incompetência como se define então esta singela e dúbia palavra?
De onde advém todo este erro colossal. Da inversão de fins e meios. Para o Ministro o fim passou a ser a digitalização e, nesse sentido, chegado ao fim o processo clamou vitória. Conseguira o que queria: a digitalização. Do ponto de vista do interesse nacional, do interesse dos alunos, do interesse dos professores, do interesse da imagem do país, foi uma terrível derrota, um vergonhoso falhanço. Substituiu-se um sistema que funcionava por outro que não funciona. (...)”
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