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segunda-feira, 25 de maio de 2026

NORUEGA: COMO SE EXPORTA A CADEIA DE ABASTECIMENTO MAIS POLUÍDA

Foto de Katja Ano no Unsplash

A Noruega apresenta-se como líder ambiental, com fiordes imaculados e salmão de viveiro «sustentável», mas os verdadeiros custos ecológicos e sociais da indústria são exportados — especialmente para a África Ocidental —, enquanto os danos ambientais no próprio país são minimizados ou ocultados.

A indústria de criação de salmão da Noruega é gigantesca — 1,25 milhões de toneladas exportadas em 2024. Mas as imagens idílicas dos fiordes escondem vários problemas: os surtos de piolhos do mar, intensificados pelo aquecimento das águas, afetam tanto o salmão de criação como o selvagem; cerca de 57,8 milhões de salmões de viveiro morreram em 2020; os tratamentos químicos e térmicos prejudicam os ecossistemas e o bem-estar dos peixes; centenas de milhares de salmões de viveiro escapam anualmente, causando poluição genética nas populações selvagens; o excesso de ração e resíduos acumula-se sob as gaiolas, alterando os ecossistemas bentónicos; o cobre das redes antivegetativas aumenta a toxicidade; a aplicação dos regulamentos é fraca e depende fortemente da autoavaliação da indústria.

Dados: Instituto para os Oceanos e a Pesca da UBC, 2025, e Conselho Norueguês dos Produtos do Mar, 2024. Fluxo de farinha de peixe e óleo de peixe das fábricas costeiras da África Ocidental para as jaulas de salmão norueguesas, e de filetes de salmão de viveiro para os mercados europeus. Ilustração do autor utilizando Python.

O salmão norueguês «limpo» depende de uma cadeia de abastecimento suja e extrativista no estrangeiro, especialmente na Mauritânia e no Senegal. Tudo porque o salmão de viveiro não produz ómega-3 e tem tem de ser obtido do óleo de peixe, que provém da Sardinella, da Anchoveta e da Menhaden, peixes essenciais na alimentação da África Ocidental. O seu desvio contribui para a insegurança alimentar, a desnutrição infantil e a perda de meios de subsistência nas comunidades costeiras. O ómega-3 comercializado nas embalagens do salmão norueguês é, literalmente, ómega-3 retirado dos pratos da África Ocidental. Fonte.

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