- A Direção‑Geral da Educação (DGE) autorizou, desde 2011, que a empresa privada Advance Station (antiga Joviform) recolhesse dados de alunos do ensino público através de “inquéritos” e “testes vocacionais”. Esses dados foram posteriormente usados para vendas agressivas e enganosas de cursos, prática que está agora sob investigação criminal. A DGE permitiu que a empresa aplicasse um “inquérito” chamado Inventariação de Interesses – AIST em alunos do 2.º ciclo ao secundário. O inquérito tinha erros ortográficos, falta de rigor científico e era inadequado para as idades. A autorização classificava a empresa como “entidade privada”, apesar do conflito de interesses: a Advance Station vendia cursos. A empresa recolhia contactos e informação pessoal dos alunos, a partir dos quais contactava encarregados de educação para vender cursos, alegando parcerias com escolas. O método incluía “reuniões” onde eram oferecidas “bolsas” e “descontos” — práticas consideradas enganosas. A partir de 2014, a empresa passou a atuar através da suposta associação AILE, que não tem registos públicos (NIF, órgãos sociais, escritura), usou o NIF de outra associação (NCDC) e submeteu vários inquéritos à DGE, alguns aprovados, outros suspensos. Os “investigadores” da AILE eram, na verdade, funcionários e comerciais da empresa. A DGE não verificou a credibilidade científica dos testes, a identidade e credenciais dos “investigadores” e o u uso posterior dos dados recolhidos. Queixas sobre práticas abusivas da empresa existem desde 2006, mas nunca travaram o acesso às escolas. Após a denúncia do Página Um, o Ministério da Educação suspendeu todas as atividades da AILE/Advance Station nas escolas, estando o caso a ser investigado pelo DIAP de Lisboa. Apesar disso, a empresa continua a contactar pais fora das escolas. Fonte.
Filipe Froes promoveu Paxlovid como absolutamente fantástico para curar a covid-19, mesmo numa altura em que a sua necessidade era questionável. Contribuiu para fazer aumentar a facturação da Pfizer em 2022. Quatro anos depois, um estudo internacional mostra que serve de pouco mais do que nada. Foto: D.R.
- Paxlovid: a deplorável história do antiviral da Pfizer promovido por Filipe Froes (e outros delegados de propaganda farmacêutica). Um novo estudo publicado no New England Journal of Medicine, com mais de quatro dezenas de investigadores, concluiu que o medicamento não reduziu hospitalizações nem mortes. Portugal gastou cerca de 20 milhões de euros neste fármaco só em 2022 e continuou a adquiri-lo até ao ano passado. Globalmente, a Pfizer encaixou cerca de 28 mil milhões de dólares com este produto. Fonte.
- Através da FLAD, Durão Barroso dá prémio (e 100 mil euros) a um instituto da Universidade Católica onde é director. Frederico Duarte Carvalho, Página Um.
- A Sonae Sierra, em parceria com o grupo alemão Hahn Gruppe, criou um novo fundo imobiliário focado no retalho alimentar no sul da Europa, tendo já realizado as suas primeiras aquisições, envolvendo lojas Continente em Marinha Grande e Benedita e um hipermercado Eroski em Espanha. O fundo pretende expandir-se para Portugal, Espanha, Alemanha e Itália, incluindo segmentos como retalho alimentar, centros comerciais, lojas de rua, escritórios, logística, hotelaria e residencial especializado. A Sonae Sierra cCriou um fundo com o Crédito Agrícola (CA Mais Capital), comprou hotéis em Lisboa através de um veículo com a norte‑americana PGIM e está entre os finalistas para adquirir 17 centros comerciais da família Balkany em Espanha. Entrou no segmento Build to Rent em Portugal, em parceria com a construtora Casais. Fonte.
- A um ano do fim do seu mandato, Emmanuel Macron recorre intensamente ao seu poder de nomeação para colocar pessoas próximas em cargos-chave do Estado com o objetivo de bloquear de forma duradoura as instituições e dificultar a ação de um eventual futuro presidente que se afastasse da sua linha política. Estas práticas ilustram uma deriva autoritária da Quinta República, já fragilizada por as crises sociais e ambientais. Fonte.
- A Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp) vive hoje uma contradição profunda: lucros recorde, mas moral interna em colapso. Os funcionários, antes atraídos por salários altos, prestígio e a sensação de “mudar o mundo”, agora percebem que ajudaram a construir uma máquina cujo propósito real sempre foi explorar atenção, dados e emoções — e que essa mesma máquina está agora a voltar‑se contra eles. Fonte.
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