Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

quarta-feira, 4 de junho de 2025

LEITURAS MARGINAIS


“Entre 1900-57, a população indígena do Brasil tinha diminuído de mais de 1 milhão para menos de 200.000 através do boom da borracha, da pecuária e da indústria mineira. Após o golpe de 1964 e o aumento do investimento estrangeiro, a penetração na região amazónica aumentou. À medida que essas indústrias invadiam ainda mais terras indígenas, uma nova campanha de extermínio as acompanhava. Os índios eram perseguidos por esquadrões da morte, as suas comunidades bombardeadas e massacradas, e as epidemias de doenças propositadamente espalhadas através de injeções e cobertores infetados. (...)
Todas essas atrocidades faziam parte de uma campanha de “pacificação” com o objetivo de eliminar os índios, que também aqui eram vistos como obstáculos ao ‘desenvolvimento’. Os órgãos governamentais responsáveis pelos ‘assuntos indígenas’ foram alguns dos piores agentes dessa campanha, tanto que o famigerado Serviço de Proteção ao Índio teve que ser extinto e substituído pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Não surpreende que as únicas mudanças reais tenham sido nos nomes. Em 1970, foi anunciada a construção de um extenso sistema rodoviário para todas as indústrias que haviam invadido a Amazônia. No ano seguinte, o presidente da FUNAI assinou um decreto que dizia: ‘A assistência ao índio será a mais completa possível, mas não poderá impedir o desenvolvimento nacional nem bloquear os diversos eixos de penetração na região amazônica.’ O sistema rodoviário transamazônico resultou na deslocalização forçada de cerca de 25 nações indígenas e milhares de mortes. A luta contra as estradas continua até hoje.”

Gord Hill, 500 years of indigenous resistance - PM Press 2009, pp 55-56. Trad. OLima 2025.

Sem comentários: