- “Compreendemos agora que há uma forte probabilidade da humilhação pública do militar Gouveia e Melo aos seus subordinados ter sido já um acto de campanha eleitoral e não um mero deslize narcísico, ou uma pulsão viril de pai descontrolado, captada pelas câmaras. A ler as suas entrevistas e discursos fica patente o desejo que reforçar os seus próprios poderes se for eleito. Qual o seu programa, já lhe perguntaram? Dar mais poder a si próprio, não se cansa de responder. Num país que vive desde 2008 uma nova onda de greves, parte delas contra o risco de vida que os longos horários de trabalho, a gestão sociopata, e a degradação dos materiais, acarretam, um Almirante que reprime, à frente de todos, os marinheiros que não queriam ter um acidente num navio a cair de podre é uma belíssima metáfora das classes proprietárias do país – não têm programa, não têm plano, não têm economia a não ser vender casas e humilhar os trabalhadores, mal pagos e em risco. E propor como candidato um militar, que perante essas más condições de trabalho em vez de pedir desculpa, como responsável que é, humilha e abre um processo disciplinar. Exatamente o que se passa em quase todos os locais de trabalho hoje, tapar a completa degradação dos locais de trabalho e abrir processos disciplinares a quem as contesta. Que a direita, de Isaltino Morais e apoiantes do Partido Fascista Chega votem em Gouveia e Melo, compreendo, que algum trabalhador, seja médico, professor, operário, enfermeiro, transporte, logística, se deixe enganar, por favor, já é auto-mutilação. Ouvi a líder da Sonae, Cláudia Azevedo, no dia que anuncia 223 milhões de lucros da sua família e accionistas, e cujos trabalhadores, aos milhares, não têm salário para pagar a sua própria habitação, lamentar que no Parlamento ninguém se entende, ela “que não se mete em política” disse nesse mesmo dia, gracejando, “Ouvir a Assembleia da República na televisão é uma coisa que não recomendamos a ninguém”. Gouveia e Melo respondeu à altura, é preciso tirar poderes ao Parlamento e dá-los a ele próprio. O Almirante que quer que os filhos dos trabalhadores vão para a guerra da NATO, que assiste impávido ao genocídio na Palestina e que usa o seu poder para envergonhar aqueles sobre os quais tem responsabilidade e ameaçar quem contesta as más relações de trabalho, e tudo à vista, não veio enganar ninguém. É tão mau como parece.” Raquel Varela, O almirante e a Sonae.
- 56% dos países da UE estão a utilizar uma porta oculta do direito internacional para proteger os evasores fiscais de países terceiros da responsabilização, negando os seus compromissos legais de ajudar a cobrar os impostos não pagos pelos evasores fiscais de outros países que escondem as suas finanças dentro das suas fronteiras e tornando mais fácil do que se pensava a circulação de dinheiro obscuro e sujo e a contornar o Estado de direito. Fonte. Portugal ocupa a 82ª posição numa lista de 141 jurisdições.
- O pessoal que trabalha para a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada pelos EUA, está ligado aos serviços militares e de informação americanos, alertou a Coligação de Advogados para a Palestina - Suíça (ASAP). O grupo afirmou que a GHF está a levar a cabo uma missão destinada a recolher dados que permitam o controlo de Gaza. Majed Abusalama, presidente da coligação, escreveu no Facebook: "A fundação está a trabalhar com uma empresa de segurança chamada Safe Reach Solutions, que está a contratar um grande número de militares norte-americanos, soldados reformados e especialistas em inteligência visual e segurança. Estão a ser contratados com contratos renováveis de três a seis meses, com um salário diário de 1.000 dólares, para recolher dados destinados a gerir ou controlar Gaza, bem como para facilitar a atual distribuição de ajuda". Abusalama acrescentou que, quando os residentes chegam aos locais de distribuição de ajuda, "as pessoas em Gaza ficam chocadas com o número de quadricópteros, outros tipos de drones e unidades de vigilância instaladas à volta da área, particularmente em Rafah". Segundo ele, um dos principais objetivos da empresa é "estudar o comportamento e as reações da população exausta à queima-roupa e recolher dados biométricos e identidades digitais de um grande número de habitantes de Gaza". Fonte.
- Massacre de ajuda: Forças israelitas matam 75 palestinianos num centro de distribuição de ajuda gerido pelos EUA. Enquanto uma multidão de pessoas aguardava no exterior do local de distribuição de ajuda nas primeiras horas da manhã, à espera das instruções dos funcionários americanos, testemunhas oculares descreveram um drone quadricóptero israelita a pairar por cima e a ordenar-lhes, através de altifalantes, que entrassem no local de distribuição vedado às 6:00 da manhã. Depois de centenas de pessoas terem entrado, os soldados abriram fogo contra a multidão, matando 75 pessoas no local de ajuda de Rafah e ferindo um total de 400 outras em todos os locais de distribuição de ajuda. Fonte.
- Israel está a integrar plenamente os seus ‘centros de ajuda alimentar’ de Gaza no genocídio. Israel foi apanhado mais uma vez numa mentira. Para um Estado genocida, não há linhas vermelhas. Ninguém deveria ficar surpreendido por Israel estar a utilizar o seu falso ‘sistema de ajuda’ para atrair os palestinianos para uma armadilha mortal. Jonathan Cook, Substack.

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