‘Estamos a receber uma notícia não confirmada de fontes anónimas que fazem afirmações não verificadas num vídeo descontextualizado que, se for verdade, é uma grande notícia e, se não for, é uma grande palhaçada.’ Rick McKee.
A desinformação sobre o clima é abundante nas redes sociais - e tende a piorar, escreve Jill Hopke. Tudo porque a Meta, a empresa-mãe do Facebook e do Instagram, vai descartar, em março de 2025, o seu programa de verificação de factos e reduzir a moderação de conteúdos, o que levanta a questão de saber como serão, no futuro, os conteúdos nessas plataformas de redes sociais.
Hopke diz-se preocupada porque essa mudança pode abrir as portas a mais desinformação sobre o clima nas aplicações da Meta, incluindo afirmações enganosas ou fora de contexto durante catástrofes, enfatizando que essa desinformação se torna viral muito rapidamente. Cita, por exemplo, uma situação registada no rescaldo da passagem dos furacões Helene e Milton, em outubro de 2024: a divulgação de imagens falsas geradas por IA de uma jovem, a tremer e a segurar um cachorrinho num barco, que viralizaram no X (ex-twitter).
Hopke sublinha que a verificação dos factos pode ajudar a corrigir a desinformação sobre as alterações climáticas e que atribuir esse papel aos utilizadores das plataformas das redes sociais não é solução. O trabalho de desmontagem feito por multidões não é suficiente nem eficaz contra campanhas de desinformação organizadas durante o vazio de informação numa crise.
A professora de jornalismo na DePaul University, Chicago, omite , - ou não lhe deram espaço para poder elaborar as suas ideias -, o papel essencial que os media tradicionais podem desempenhar se tiverem redações robustas e repórteres competentes no terreno para, em devido tempo, informarem corretamente e alertarem para casos de desinformação.
Isto não está a acontecer. Pelo contrário, perante o contínuo definhamento das redações e o consequente multitarefismo, as redações socorrem-se muitas vezes de informações e imagens colhidas nas redes sociais, - anónimas ou omitindo créditos autorais -, quantas vezes sem tempo para cruzarem ou confirmarem essas informações.
A confiança nos media tradicionais tem esboroado, em grande parte, devido à superficialidade com que os conteúdos informativos são divulgados, privilegiando a rapidez do acesso a uma informação efémera, volátil, campeã de cliques sobre uma informação contextualizada, consistente, amiga da compreensão da realidade em que vivemos.
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