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domingo, 30 de outubro de 2022

Bico calado

  • Os pobrezinhos, por António Lobo Antunes. Via Foicebook.
  • «O SpaceX de Elon Musk esteve sempre ligado à CIA. O antigo presidente do capitalismo de risco da agência, Mike Griffin, orientou Musk, ajudando-o a conseguir enormes contratos governamentais, chegando a acompanhar Musk a Moscovo, onde tentou comprar mísseis balísticos intercontinentais russos.  O seu Starlink é também uma ferramenta crucial para os militares ucranianos. Atualmente, muitas forças ucranianas não podem disparar as suas armas sem utilizar satélites Starlink e imagens térmicas Starlink, ajudando-as a atingir as forças russas. Musk deu nas vistas ao admitir que trabalhou com o governo dos EUA para derrubar o Presidente boliviano Evo Morales em 2019. A Bolívia tem as maiores reservas mundiais de lítio fácil de extrair, um elemento crucial na produção de baterias para veículos elétricos. Morales recusara abrir o país a empresas estrangeiras ansiosas por explorar a Bolívia com fins lucrativos. Em vez disso, propôs o desenvolvimento de tecnologia soberana para manter tanto os empregos como os lucros dentro do país. Foi derrubado por um golpe de extrema-direita apoiado pelos Estados Unidos em novembro de 2019. O novo governo rapidamente convidou Musk para conversações. Quando lhe perguntaram se ele estava envolvido na expulsão de Morales, Musk respondeu: "Faremos golpes de estado contra quem quisermos. Ponto final." A Tesla recebeu apoio significativo do governo norte-americano na sua fase inicial, recebendo um empréstimo a juros baixos de $465 milhões do Departamento de Energia em 2010, numa altura em que Tesla estava nas lonas e o seu futuro era duvidoso. A Tesla tem sido capaz de pôr os estados uns contra os outros, cada um sedento de emprego licitando contra os outros para dar à empresa o máximo possível de subsídios e incentivos fiscais. Em 2020, por exemplo, Austin deu à Tesla mais de 60 milhões de dólares em incentivos fiscais para construir ali uma fábrica de camiões. O Estado de Nova Iorque entregou a Musk mais de $750 milhões, incluindo $350 milhões em dinheiro, pela construção de uma fábrica solar fora de Buffalo. O estado do Nevada assinou um acordo com Tesla para construir a sua Gigafactory perto de Reno. Os incentivos incluídos significam que o fabricante de automóveis poderia arrecadar quase $1,3 mil milhões de dólares em benefícios fiscais e créditos fiscais. Entre 2015 e 2018, o próprio Musk pagou menos de $70.000 em impostos federais sobre os  rendimentos.» ALAN MACLEOD, Elon Musk Is Not a Renegade Outsider – He's a Massive Pentagon Contractor - MPN.
  • O Presidente Joe Biden anunciou novas sanções contra as empresas mineiras estatais da Nicarágua. As receitas provenientes destas operações mineiras financiam os programas de bem-estar social da Nicarágua. A medida surge menos de 2 semanas antes de o partido Sandinista do Presidente Daniel Ortega assegurar grandes vitórias nas eleições locais. UPI.
  • Numa carta aberta, cinco antigos ministros europeus rotularam as políticas de Israel contra os palestinianos como "o crime do apartheid". A carta foi assinada pelo antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Mogens Lykketoft, pelo antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Erkki Sakari Tuomioja, pelo antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslovénia, Ivo Vajgl, pelo antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Hubert Vedrine e pelo Ministro do Gabinete Britânico, Sayeeda Warsi. Os ministros denunciam o silêncio da comunidade internacional que "não agiu perante a gravidade do direito internacional" no que diz respeito ao conflito israelo-palestiniano. MEM.
  • A subida ao trono da Rainha Isabel coincidiu com o fim do império britânico. O reinado do Rei Carlos III descambará no fim da Monarquia? Obiora Ikoku, Charles the LastIPS.

Brilhante síntese conseguida pelo cartoonista britânico Dave Brown: a cobra do partido Conservador mudou a pele três vezes num curto espaço de tempo.

  • Como o Reino Unido apoiou a invasão do Panamá. Pouco antes das 7 da manhã do dia 20 de dezembro de 1989, Margaret Thatcher recebeu uma chamada do Presidente dos EUA George H.W. Bush, informando-a de que Washington tinha acabado de lançar uma invasão do Panamá, declarando que não havia "outra alternativa senão intervir". Durante toda a Guerra Fria, o líder militar do Panamá Manuel Antonio Noriega tinha sido um valioso ativo da CIA - desde denunciar estudantes e  militares peruanos nos anos 50 até à realização de operações secretas de apoio à guerra dos Contras contra o governo nicaraguense nos anos 80. Porém, a partir de certa altura, Noriega envolveu-se em negócios de droga e de lavagem de dinheiro, para além de fornecer informações secretas a Cuba. Para cúmulo, três meses após terem sido reveladas as ligações de Noriega com a droga, o líder panamiano encontrou-se com o oficial do Conselho de Segurança Nacional dos EUA Oliver North num hotel londrino "para colaborar num plano para Noriega apoiar os Contras em troca de dinheiro e armas americanas". Então, e 20 de dezembro de 1989, Bush lançou a "Operação Causa Justa", justificando a invasão do Panamá por quatro motivos: para restaurar a democracia no Panamá; para prender Noriega; para proteger os direitos dos EUA ao abrigo do Tratado do Canal do Panamá; e para proteger os cidadãos dos EUA no Panamá. Os EUA "hipnotizaram" o Panamá "com poder de fogo", utilizando "novos aparelhos, mísseis guiados a laser e caças furtivos", novas tecnologias que os EUA estavam mortinhos por utilizar. Duas semanas após a invasão, Noriega rendeu-se às forças norte-americanas. Foi levado a julgamento num tribunal de Miami, o que impediu a sua defesa de apresentar qualquer prova relacionada com o seu trabalho para a CIA, ou ligações com altos funcionários norte-americanos, incluindo Bush. Os consultores jurídicos britânicos duvidaram que a invasão pudesse ser justificada ao abrigo do direito internacional e encorajaram fortemente os políticos britânicos a não comentarem questões de legalidade. Apesar das preocupações legais, Thatcher disse aos repórteres, no próprio dia da invasão, que a decisão de Bush de invadir tinha sido "corajosa", acrescentando: "Acredito que é para isto que servem os amigos - para os apoiar neste momento". Nos dias seguintes, a Grã-Bretanha vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que "lamenta fortemente a intervenção no Panamá das forças armadas dos Estados Unidos da América, o que constitui uma violação flagrante do direito internacional e da independência, soberania e integridade territorial dos Estados". O representante britânico junto da ONU, Thomas L. Richardson, declarou que o governo britânico "apoia plenamente a ação tomada pelos Estados Unidos". Pouco depois da votação do Conselho de Segurança, notou-se que o "apoio oportuno e constante da Grã-Bretanha à intervenção dos E.U.A. foi muito apreciado em Washington. Embora a França se tenha juntado ao Reino Unido e aos EUA no veto a uma resolução hostil do Conselho de Segurança, só nós demos um apoio inequívoco aos americanos". Como Thatcher recordou mais tarde: "Quando o Presidente Bush estava em apuros sobre o Panamá, telefonou-me e obteve apoio. Bang - assim sem mais nem menos... De onde é que ele o obteve?" John McEvoy, Declassified UK.

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