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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Bico calado

  • «De facto, ao mesmo tempo que exerceu os sucessivos mandatos de deputado, entre 2002 e 2018, Montenegro desenvolveu a atividade paralela de advogado na firma SP&M, sendo detentor de 50% do respetivo capital social. Entre fevereiro de 2014 e janeiro de 2018, de acordo com os dados registados no portal Base, a firma de Montenegro celebrou 10 contratos por ajuste direto com as câmaras municipais de Espinho (seis) e de Vagos (quatro), ambas lideradas pelo PSD, faturando um valor total de 400 mil euros (média de 100 mil euros por ano). O último contrato antes de Montenegro ter saído da Assembleia da República data de 8 de janeiro de 2018, adjudicado pela Câmara Municipal de Espinho e visando a "aquisição de serviços de assessoria e informação jurídicas" por 54 mil euros. Cerca de três semanas antes, no dia 20 de dezembro de 2017, a mesma Câmara Municipal de Espinho tinha celebrado outro contrato por ajuste direto com a mesma SP&M, visando "serviços de representação jurídica" por 72 mil euros. Na semana anterior, a 15 de dezembro de 2017, tinha sido a Câmara Municipal de Vagos a contratar a SP&M por ajuste direto, visando a "aquisição de serviços de assessoria jurídica e representação em juízo" por 74.700 euros. Importa salientar que, na altura dos contratos, as autarquias de Espinho e Vagos eram lideradas pelo PSD, sob as presidências de Joaquim Pinto Moreira e Silvério Regalado, respetivamente. Aliás, o próprio Montenegro foi presidente da Assembleia Municipal de Espinho (2009-2013) e vereador na Câmara Municipal de Espinho (1997-2001).» Polígrafo.

  • Comentários de Jeffrey Sachs na sessão do Fórum da Democracia de Atenas sobre "Uma Década de Democracia: China e Rússia". O Professor Sachs é Director do Centro para o Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Columbia. O evento foi gravado a 29 de Setembro de 2022 no Zappeion Megaron em Atenas, Grécia: [a partir dos 3:18] «(…) quando olho para o meu próprio país, os EUA, é uma sociedade racista, semidemocrática, dominada pelos brancos e hierarquizada, que visa preservar os privilégios das elites. Foi assim que se formou em 1887: era um país proprietário de escravos, genocida, que matava Índios por uma cultura branca. Mas, surpreendentemente, ainda hoje parece assim, embora sejamos agora muito mais diversificados do que éramos. Portanto [Moderador: deixe-me perguntar-lhe Jeff] (...) E mais um ponto que quero esclarecer sobre democracia porque estamos num Fórum democrático onde tratamos a democracia como o bem. O país mais violento do mundo no século XIX foi, de longe, talvez o mais democrático ou o segundo mais democrático foi a Grã-Bretanha. Pode-se ser democrático em casa e impiedosamente imperial no estrangeiro. O país mais violento do mundo desde 1950 tem sido os EUA. [Jeffrey, sou o seu moderador, e já chega] OK, acabei». Fonte. Nota: O moderador que interrompe rudemente Jeffery Sachs é Steven Erlanger, Governador da Fundação Ditchley, que é financiada por John Sawers, antigo chefe da secreta britânica Mi6.

  • «O golpe do então chefe de estado-maior do exército Amin ocorreu enquanto Obote participava numa conferência da Commonwealth em Singapura e envolveu a prisão ou o abate de oficiais leais a Obote, resultando na morte de centenas de pessoas. O golpe foi imediatamente saudado por oficiais britânicos. A Grã-Bretanha foi um dos primeiros países a reconhecer formalmente Amin como Presidente, juntamente com os EUA e Israel; alguns estados africanos, como a Tanzânia e a Zâmbia, recusaram-se a reconhecer a legitimidade do novo regime militar. "O nosso interesse no Uganda em termos de cidadãos, investimento, comércio e programa de ajuda [sic] é mais bem servido nestas circunstâncias pelo reconhecimento oportuno", observou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. (…) Amin reverteu efetivamente os planos de nacionalização de Obote. “Muitas empresas foram salvas de uma dose desagradável de nacionalização pela tomada do poder pelo General Amin", escreveu Eric le Tocq mais tarde. Em maio, o novo regime fez uma declaração sobre a sua política económica que saudava o investimento privado. Antecipando esta declaração, o Ministério dos Negócios Estrangeiros considerava que essa política era "largamente bem-vinda às empresas britânicas aqui presentes e que deveria avançar decididamente no sentido do restabelecimento da confiança do investimento estrangeiro no Uganda".» Mark Curtis, Unpeople, Britain’s secret human rights abuses – Vintage 2004, pp 248-251.

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