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terça-feira, 16 de novembro de 2021

Reflexão - COP26: Cinco grandes buracos na redução da extracção de combustível fóssil

1. Subsídios e finanças

Espera-se muito da Glasgow Financial Alliance for Net Zero (GFANZ), uma coligação global de instituições financeiras que tem como objetivo acelerar a descarbonização da economia. Mas muitos dos seus esforços serão minados enquanto os governos continuarem a subsidiar a indústria dos combustíveis fósseis, tornando-a viável. Bancos houve que recentemente forneceram 575 mil milhões de dólares em financiamento de combustíveis fósseis a alguns dos maiores poluidores do mundo. Além disso, o GFANZ é voluntário, quando é necessário que os compromissos sejam vinculativos.

2. Nova produção

Apesar da esmagadora evidência de que a maioria das reservas mundiais de combustíveis fósseis tem de permanecer no solo, há governos ainda a aprovar novos projetos. O governo do Reino Unido tem 40 projetos de combustíveis fósseis em carteira, apesar de ter sido o anfitrião da COP26. A Austrália também continua a aprovar novos projetos de gás e carvão. O governo da Nova Gales do Sul aprovou oito novos projectos desde 2018, apesar da meta do estado de uma redução de 50% das emissões até 2030.

3. Negócios são negócios

Uma outra lacuna é a forma como a indústria dos combustíveis fósseis está a ser autorizada a continuar os seus enormes níveis de produção após se ter comprometido a tornar as suas operações mais ecológicas. Medidas como a captura e armazenamento de carbono e a compensação têm sido apontadas por alguns governos como soluções para reduzir as emissões da indústria. Mas estas não são soluções reais se simplesmente permitirem que a produção e utilização de combustíveis fósseis prossiga a níveis perigosos. Embora a compensação tenha de desempenhar um papel na redução de emissões em alguns setores difíceis de reduzir, como a aviação e a agricultura, não é um substituto para cortes genuínos na utilização de combustíveis fósseis e dá a impressão enganadora de que as empresas de combustíveis fósseis estão a tornar-se verdes.

4. Influência

Estas brechas que permitem a produção de combustíveis fósseis não acontecem por acaso. O maior grupo de representantes na COP26 era da indústria dos combustíveis fósseis. Uma das características marcantes e perturbadoras das abordagens governamentais às alterações climáticas é o impacto das empresas de combustíveis fósseis na tomada de decisões. É difícil pensar em outras questões em que toleramos este tipo de influência.

5. Dissociação da produção

A incapacidade de colmatar estas lacunas significará que a produção de combustíveis fósseis em países como a Austrália irá continuar por muito mais tempo do que deveria. O facto de ainda haver clientes dispostos a comprar ativos de combustíveis fósseis, como as minas de carvão de Queensland da BHP, indica que os investidores estão a antecipar anos de lucros (e poucas responsabilidades climáticas) dos combustíveis fósseis, apesar das medidas propostas na COP 26. Uma das falhas mais gritantes da COP 26 é a incapacidade de ligar os cortes nas emissões com os cortes na produção. Em nenhum outro lugar isto é mais visível do que em países como a Noruega, que têm objetivos de redução domésticos impressionantes (55% até 2030) e continuam a defender a produção de combustíveis fósseis através da exploração de petróleo e gás. Uma solução seria acabar com a falsa ideia de que se pode progredir em matéria de clima através da redução das emissões domésticas ao mesmo tempo que se apoia a produção de combustíveis fósseis. Se países como a Austrália e a Noruega não conseguirem chegar a acordo sobre a redução do apoio à produção, então continuaremos a ver lacunas que permitem que a indústria floresça. 

Jeremy Moss, The Conversation.

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