Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

sábado, 30 de outubro de 2021

Reflexão – Espaços verdes perto de casas evitam mortes prematuras

Investigadores do Instituto de Barcelona para a Saúde Global (ISGlobal), elaboraram um ranking das cidades europeias com as taxas de mortalidade mais altas e mais baixas atribuíveis à falta de espaços verdes.

Este é o resultado de uma investigação séria, baseada em dados científicos, que analisa mais de 1.000 cidades em 31 países europeus. Conclui que poderiam ser evitadas até 43.000 mortes prematuras por ano se se cumprisse a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a proximidade residencial a espaços verdes.

Costumávamos pensar que os espaços verdes nas cidades são pouco mais do que decoração, algumas arvorezinhas para fazer as ruas parecerem bonitas. Ou lugares para as crianças brincarem e os cães fazerem as suas necessidades. Mas o estudo demonstra que são mais do que apenas espaços necessários, são absolutamente vitais. Os espaços verdes estão associados a uma série de benefícios para a saúde, incluindo menor mortalidade prematura, maior esperança de vida, menos problemas de saúde mental, menos doenças cardiovasculares, melhor função cognitiva em crianças e pessoas mais velhas, e bebés mais saudáveis. Também ajudam a mitigar a poluição atmosférica, o calor e o ruído, contribuem para o sequestro de carbono e proporcionam oportunidades de exercício e interação social.

Com base nas provas científicas existentes, a OMS recomenda o acesso universal a espaços verdes e estabelece um objetivo de pelo menos meio hectare de espaço verde não superior a 300 metros das residências. Para calcular o espaço verde existente em cada cidade, o estudo utilizou o Índice de Vegetação com Diferença Normalizada (NDVI) como o indicador principal. O NDVI é um indicador que mede o espaço verde de uma determinada área. Tem em conta qualquer tipo de vegetação, desde árvores de rua a jardins em propriedades privadas, e é baseia-se em imagens de satélite.

A equipa obteve dados sobre a mortalidade por causas naturais e os níveis de espaço verde para cada uma das cidades estudadas para o ano de 2015. Depois, utilizando uma metodologia de análise quantitativa do impacto na saúde e com base em dados sobre a associação entre espaço verde e mortalidade fornecidos por grandes metanálises previamente publicadas, estimaram o número de mortes por causas naturais que poderiam ser evitadas se cada cidade cumprisse a recomendação da OMS. Os resultados globais do indicador de vegetação (NDVI) mostram que 62% da população estudada vive em áreas com menos espaço verde do que o recomendado. Esta falta de espaço verde estaria associada a 42.968 mortes, o que poderia ser evitado através do cumprimento das directrizes da OMS e que equivale a 2,3% da mortalidade total por causas naturais.

"Os nossos resultados mostram que a distribuição do espaço verde é muito desigual nas cidades da Europa, com uma mortalidade atribuível a uma exposição insuficiente ao espaço verde que varia entre 0% e 5,5% de todas as mortes naturais dependendo da cidade", diz Evelise Pereira, investigadora do ISGlobal e principal autora do estudo. Contudo, o impacto desigual não é apenas entre cidades, mas também entre diferentes áreas da mesma cidade, o que coloca algumas pessoas em desvantagem dependendo da cidade ou bairro onde vivem. Muitas vezes os espaços verdes não estão perto do sítio onde as pessoas vivem, pelo que não geram benefícios para a saúde", acrescenta Evelise Pereira.

César-Javier Palacios, 20 Minutos.

O ranking das cidades portugueses pode ser consultado aqui.

Sem comentários: