- «Meditei sobre as ironias da situação. A administração republicana mais reacionária da história apoiava muito activamente o grupo de apparatchiks soviéticos no poder no Uzbequistão, que lutavam com algum sucesso para preservar os últimos vestígios do comunismo soviético. Estavam a ser muito ajudados por George Bush. Ele, provavelmente o líder mais à direita na história dos EUA, por sua vez, era apoiado abertamente por um governo dito trabalhista no Reino Unido. Para o fazer, tínhamos escarrado nas Nações Unidas, alienado os opositores franceses e alemães ao imperialismo americano, e um governo trabalhista tinha alinhado com Sílvio Berlusconi». Craig Murray, Murder in Samarkand – Mainstream Publishing 2007
- «(…) Imagine que você tinha uma informação do Ministério Público brasileiro que lhe dizia que o Sócrates, em 2011, tinha tido um assessor de marketing brasileiro que foi pago pela construtora Odebrecht com 800 mil dólares. As autoridades brasileiras diziam que "desconfiamos que estes 800 mil dólares foram para pagar a campanha eleitoral de Sócrates". Se isso acontecesse, cairia o Carmo e a Trindade. Só que isso sucedeu, mas com uma pequena diferença, o político que os brasileiros perguntaram era Passos Coelho, e nada aconteceu. Quando o Ministério Público português perguntou, em 2017, se a justiça brasileira tinha alguns dados em relação à Odebrechet e a políticos portugueses, como o Sócrates, a justiça brasileira respondeu, com uma carta rogatória, que tinham suspeitas que a Odebrechet tinha pago a campanha de Passos Coelho e a do PSD. Este facto nunca teve nenhuma fuga para a imprensa. Nunca o Ministério Público português agiu. E agora querem-me impedir de ser assistente no processo porque quero diligências quando a isso. Afinal de contas, já passaram quatro anos. Interrogaram o doutor Passos Coelho? Se fosse comigo, tinham-me prendido. Eu acho que o meu caso tem motivações políticas de ataque ao PS e defesa do PSD. Como soube disso? Pelo Correio da Manhã, os jornalistas fizeram-se assistentes do processo Marquês, foram lê-lo e encontraram isso, que foi remetido para uma página interior sem nenhuma comoção pública a esse respeito e mais nenhum desenvolvimento por parte do Ministério Público. Tire as suas próprias conclusões. Comigo teria estado imediatamente em todas as televisões. Vejo muitos jornalistas a quererem desqualificar quando alguém diz que houve uma motivação política. Afirmam comigo, "lá vem a tese da cabala". Aqui está um dado para pensarem. (…)» José Sócrates entrevistado por Nuno Ramos de Almeida para o Contacto.

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