«James acrescentou que o clima empresarial era tão pobre que a comunidade britânica em Tashkent, que em 1995 contava com duas centenas, descera agora para cerca de 40. Consegui posteriormente confirmar isto. A embaixada tinha responsabilidade consular não só pelos britânicos no Uzbequistão, mas também por várias outras nacionalidades que não tinham embaixadas no país, incluindo os irlandeses, australianos, neozelandeses, finlandeses, holandeses e outras. A nossa lista total de pessoas em todo o país tinha diminuído de mais de 500 para 120 à medida que a oportunidade económica diminuía. As embaixadas francesa e alemã confirmaram o mesmo quadro. A comunidade indiana tinha diminuído de 5000 para 500. A única comunidade a aumentar foi a americana, que teve um afluxo maciço de pessoal militar e dos serviços secretos e outros trabalhadores após a abertura da base aérea americana no Uzbequistão, em Karshi Khanabad, no rescaldo do 11 de Setembro. James tinha-me dado muito que pensar e, o que é importante, a minha primeira visão real da natureza totalitária do regime uzbeque. Já sabia que tinha um historial terrível em matéria de direitos humanos, praticava tortura, não tolerava oposição política e tinha meios de comunicação social totalmente controlados pelo Estado. Apenas três dias a ler jornais uzbeques e a ver notícias da televisão uzbeque tinham-me mostrado isso. Cada notícia televisiva começava assim: "Hoje o Presidente da República do Uzbequistão, Sua Excelência o Sr. Islam Karimov ...". Havia uma presença policial surpreendentemente pesada na cidade, com um nó de polícias em cada esquina. Havia também um ar evidente de medo. Todos estavam assustados, e até mesmo o pessoal uzbeque da embaixada baixava os olhos e as vozes se lhes perguntassem sobre a situação política ou económica.»
Craig Murray, Murder in Samarkand – Mainstream Publishing 2007

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