“Acabar com os patrocínios à Presidência do Conselho da UE não vai resolver o problema, mas é o mínimo que podemos fazer”, afirma a Climaximo reagindo às afirmações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva de que o seu governo tinha reduzido ao mínimo os patrocínios à Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia e que esses patrocínios não iriam servir para alterar as políticas do Governo.
A Cimaximo não desarma: “É impressionante que o resultado
dessa redução tenha sido a escolha da Navigator Company. Esta
empresa é acusada de usurpação de terras em Moçambique e é uma das
maiores emissoras de gases com efeito de estufa em Portugal: o seu
complexo industrial de Setúbal ficou no 5º lugar na lista de
infraestruturas com as maiores emissões de CO2 no nosso país em
2017, de acordo com dados da
Agência Europeia do Ambiente. Com o encerramento das centrais a carvão de
Sines e do Pego e da refinaria de Matosinhos, a Navigator
Company passa a ser a empresa com as maiores emissões de gases
com efeito de estufa em Portugal, de acordo com o inventário de
emissões recentemente divulgado pelo Climáximo e pela Greve Climática
Estudantil.
As políticas do governo, tal como as políticas da
União Europeia, são sempre guiadas pelos interesses das empresas privadas.
Nesse sentido, o logo da Navigator nos cadernos da Presidência Portuguesa do
Conselho da União Europeia não é mais que uma representação simbólica desta
relação, que é o modo de operação habitual das instituições do poder político
no capitalismo.
A relação entre os governos em Portugal e a
Navigator é longa e bem conhecida, com quadros desta empresa a entrarem em
diversos governos e desenhando a política florestal do país durante décadas.
O resultado desta política é que 9% do território
nacional está coberto de eucaliptos (um recorde mundial), contribuindo
para o agravamento dos incêndios florestais, com consequências
devastadoras em termos de perdas de vida humana e emissões dióxido de carbono.
O Ministro refere ainda a declaração da Navigator ao Politico, que diz que nenhum político entrou na empresa como diretor, nem um diretor da empresa entrou para o governo, desde a sua privatização no início dos anos 2000. Esta declaração é uma obra prima da ocultação dos factos, podemos talvez chamar-lhe uma “verdade cirúrgica”. Ao contrário do que dá a entender, a relação entre a empresa e o governo português mantém-se até aos dias de hoje. O exemplo mais recente é Tiago Martins de Oliveira, que foi responsável pelas áreas da Proteção Florestal (2008-2016) e da Inovação e Desenvolvimento Florestal (2016-2017) na The Navigator Company, sendo depois nomeado Presidente da Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada dos Fogos Rurais, cargo equiparado a Secretário de Estado, na dependência direta do Primeiro-Ministro do XXI Governo Constitucional, António Costa.”

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