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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Reflexão – Chegou a hora de pensarmos na segurança e na soberania alimentar


O confinamento e o cerco sanitário têm provocado algum pânico nas compras, esvaziando as prateleiras dos supermercados nos EUA. Esse pânico atinge agora os viveiros e as empresas de sementes à medida que as pessoas decidem açambarcar sementes e mudas para cultivar alimentos em casa. «Chegou a hora da soberania alimentar», escreve Katie Brimm na Civil Eats.

E Rina Chandran, na Reuters, reporta o florescimento das hortas urbanas na Ásia.
«Cada vez mais gente começa a pensar de onde vem a comida, com que facilidade ela pode ser interrompida e como reduzir as perturbações», diz o arquiteto paisagista Kotchakorn Voraakhom, que projetou a maior quinta urbana de telhados da Ásia em Banguecoque.

«Pessoas, gestores e governos deviam refletir na maneira como a terra é usada nas cidades. A agricultura urbana pode melhorar a segurança e nutrição alimentar, reduzir os impactos da crise climáticas e diminuir o estresse», sublinha.
Prevê-se, segundo as Nações Unidas, que mais de dois terços da população mundial viva nas cidades até 2050. A agricultura urbana pode ser crucial para alimentar a população mundial, podendo produzir cerca de 180 milhões de toneladas de alimentos por ano - ou cerca de 10% da produção global de leguminosas e legumes, segundo um estudo de 2018 publicado na revista Earth's Future.

Rina Chandran recorda que, nos EUA, numa época de profunda crise a vários níveis, o problema da segurança alimentar também se colocou, tendo os norte-americanos avançado com o projeto das Victory Gardens para combater a escassez de alimentos não só durante a primeira guerra mundial como durante a segunda guerra mundial, com o surgimento de imensas hortas em jardins, quintaisrecreios de escolas, baldios, bouças e logradouros.

Em Singapura, já são populares as hortas verticais, consideradas essenciais para produzir 30% das necessidades de alimentação dos seus habitantes até 2030.

Convém não esquecer um projeto de horta urbana criado por Michelle Obama. Ele merece ser recordado, tendo em contra que parece envolto numa estranha neblina mediática soprada pelos ventos do poder do momento.
Podem revê-lo no Youtube, na NPR, no TakePart, e na Green City.