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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Madeira: a quem interessa a destruição da ribeira dos Socorridos?


Há anos que a empresa Afavias extrai inertes da ribeira dos Socorridos, na Madeira. Tudo ilegal, garante Danilo Matos, que chega a sugerir haver matéria mais que suficiente para o Ministério Público intervir, apurar responsabilidades e até demitir Amílcar Gonçalves, Secretário Regional dos Equipamentos e Infraestruturas.
Tudo porque insiste que a maquinaria no local faz trabalhos de limpeza solicitados pelos regantes da levada dos Piornais, o que não é verdade. Danilo Matos garante: «A Afavias abriu uma estrada desde a britadeira até 1,5 km acima da lagoa de repartição das águas das duas levadas, chegando à base da Fajã das Galinhas. (Esta lagoa, mais ou menos ao quilómetro 3, é limpa manualmente de vez em quando, e onde, depois da Aluvião de 09 de Outubro de 1803, se faz a repartição das águas – 1/7 para a levada Nova de Câmara de Lobos e 6/7 para a levada dos Piornais do Funchal.) Essa estrada, como se pode ver, foi construída uma parte em betão, repito betão, ocupando metade do leito da ribeira entre o portão privado da Afavias para o roubo dos inertes e um pouco mais a cima da Central Hidroeléctrica dos Socorridos. Isto quer dizer que se impermeabilizou metade do leito da ribeira nesta extensão. É grave.»
Danilo Matos sublinha a fraca consistência dos argumentos avançados pelo Secretário Regional para justificar a intervenção da maquinaria, citando uma reportagem de Ricardo Duarte Freitas, no DN do Funchal: “No local constatou-se que havia uma empresa a realizar trabalhos de recuperação da madre de água da Levada dos Piornais…razão pela qual foi necessário criar um acesso provisório ao longo da margem fluvial até à zona da tomada de água da levada (…) apesar de não ter havido um pedido de autorização oficial para intervir em ambiente fluvial, verificou-se que o trabalho em questão não contribui para obstruir o leito ordinário, nem provocou constrangimentos ao normal funcionamento em toda a extensão do troço inferior desta ribeira”.
Danilo Matos refere que a intervenção foi suspensa, mas o perigo está lá: «É urgente avaliar a situação com peritos de capacidade técnica reconhecida, porque esta situação abandonada daquela maneira potencia gravemente uma situação aluvionar. Outubro vem aí e não é, propriamente, um mês amigo da ribeira dos Socorridos.
Historicamente as grandes aluviões foram neste mês: 09/10/1803; 24/10/1815; 24/10/1842; 29/10/1993; outubro/1997; novembro/1848.»
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