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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Reflexão –Enquanto a Amazónia arde (3)

Os trágicos incêndios da Amazónia exigem ação imediata! Cancelem o meu projeto de a comprar.
  • Duas empresas brasileiras, propriedade de um dos principais doadores do presidente Donald Trump e do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, são significativamente responsáveis pela contínua destruição da floresta amazónica, escreve Ryan Grim, na The Intercept. As empresas conquistaram o controlo da terra, desmataram e ajudaram a construir uma polémica rodovia para o seu novo terminal na outrora selva, tudo para facilitar o cultivo e a exportação de cereais e soja. O terminal de Miritituba, no interior da Amazónia, no estado do Pará, permite que os produtores carreguem soja em barcaças, que então navegarão para um porto maior antes de a carga ser transportada para todo o mundo. Este terminal é administrado pela Hidrovias do Brasil, uma empresa que pertence em grande parte à Blackstone, uma importante empresa de investimentos dos EUA. Outra empresa da Blackstone, a Pátria Investimentos, possui mais de 50% da Hidrovias, enquanto a própria Blackstone possui uma participação adicional de aproximadamente 10%. O co-fundador e CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, é um aliado próximo de Trump e doou milhões de dólares para McConnell nos últimos anos. Schwarzman, um dos fundadores da Blackstone, possui cerca de um quinto da empresa, fazendo dele um dos homens mais ricos do mundo. Em 2018, ele faturou pelo menos 568 milhões de dólares e foi generoso em relação a McConnell e Trump: em 2016, doou 2,5 milhões para o Fundo de Liderança do Senado, o Super PAC de McConnell e colocou Jim Breyer, o cunhado bilionário de McConnell, no conselho da Blackstone. Dois anos depois, Schwarzman arrecadou 8 milhões para o Super PAC da McConnell. Schwarzman é um amigo próximo e conselheiro de Trump, e foi presidente do seu Fórum Estratégico e de Políticas até o escândalo da manifestação neonazi em Charlottesville, na qual Trump elogiou «pessoas muito boas, de ambos os lados». Em dezembro de 2017, quando os detalhes finais do corte de impostos estavam a ser ultimados, Schwarzman organizou para Trump um jantar de recolha de fundos a 100 mil dólares por lugar. Alguns dos convivas queixaram-se da nova lei do imposto e, dias depois, Trump reduziu a taxa percentual mais alta no pacote final de 39,6 para 37. Apenas um pormenor: O presidente brasileiro viajou para Nova York em maio para ser homenageado numa festa de gala patrocinada pela Refinitiv, uma empresa de que a Blackstone é proprietária maioritária. Os incêndios na Amazónia têm provocado devastação inédita, muitos deles ateados por agricultores e outros que buscam limpar a terra para cultivo ou pastagem. Bolsonaro inicialmente descartou os incêndios como indignos de atenção séria. Há poucas semanas, Bolsonaro demitiu um cientista-chefe do governo por causa de um relatório sobre a rápida escalada da desflorestação sob a administração de Bolsonaro, alegando que os números tinham sido forjados.
  • Um grupo de juristas brasileiros prepara desde 23 de agosto uma denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro por crime ambiental contra a humanidade, a ser apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda. Os juristas argumentam que Bolsonaro pode ser responsabilizado pelo aumento dos danos na Amazónia em 2019 devido à demora da resposta contra as queimadas na região e à atual política ambiental do governo. A ação está sendo articulada por especialistas em direitos humanos, direito ambiental e internacional. «Os ataques de Bolsonaro aos órgãos de pesquisa, aos ambientalistas, às organizações não governamentais e aos órgãos de fiscalização ambiental se apresentaram como um salvo conduto para ações criminosas contra o meio ambiente», sublinha a jurista Eloísa Machado, que é professora de direito constitucional da Fundação Getúlio Vargas. DW.
  • O líder sindicalista José Dutra da Costa escapou de duas tentativas de homicídio antes de ser assassinado com três tiros na porta de casa. O mandante do crime só foi condenado quase 20 anos depois: José Dutra da Costa foi morto por denunciar desmatamento, grilagem e trabalho escravo. APublica.
  • Grupos ambientalistas no Equador lançaram um apelo à "ação global" perante a proliferação de incêndios desencadeados na floresta amazónica e dos efeitos perniciosos que os incêndios nessa floresta podem gerar em todo o planeta. El Día.
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