terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Greta Thunberg: As pessoas vão enfrentar o desafio climático, quer os líderes mundiais gostem ou não


As pessoas vão enfrentar o desafio climático, quer os líderes mundiais gostem ou não. Leia o discurso de Greta Thunberg, de 15 anos, ao líder da ONU, António Guterres, na conferência sobre as alterações climáticas em Katowice.

Não viemos aqui para implorar aos líderes mundiais que cuidem do nosso futuro. Eles ignoraram-nos no passado e vão ignorar-nos novamente. Viemos aqui para que eles saibam que a mudança está a chegar, quer gostem gostem ou não.
«Durante 25 anos, muita gente participou nas cimeiras do clima das Nações Unidas, pedindo aos líderes da nossas nações que parassem com as emissões. Mas, claramente, isso não funcionou, já que as emissões continuam a aumentar.Por isso, eu não vou pedir-lhes nada.Em vez disso, vou pedir aos media para começarem a tratar a crise como uma crise.Em vez disso, vou pedir às pessoas em todo o mundo para verem como os nossos líderes políticos não cumpriram as suas promessas.Porque estamos perante uma ameaça existencial e não há tempo para continuar nesta estrada de loucura.Países ricos como a Suécia precisam de começar a reduzir as emissões em pelo menos 15% por ano para atingir a meta de aquecimento de 2 graus. Pensávamos que os media e todos os nossos líderes não estariam a falar de mais nada - mas ninguém fala disto.Nem ninguém fala sobre o facto de estarmos no meio da sexta extinção em massa, com 200 espécies a desaparecer todos os dias.Além disso, ninguém fala sobre o aspecto da equidade claramente declarado em todo o acordo de Paris, que é absolutamente necessário para fazê-lo funcionar à escala global. Isso significa que países ricos, como o meu, precisam de reduzir as emissões a zero dentro de 6 a 12 anos à atual velocidade de emissões, para que as pessoas em países mais pobres possam melhorar o seu padrão de vida construindo parte das infraestruturas que já temos, tais como hospitais, eletricidade e água potável.Como podemos esperar que países como a Índia, a Colômbia ou a Nigéria se preocupem com a crise climática se nós, que já temos tudo, não nos importamos nem um pouco com os nossos compromissos reais para com o acordo de Paris?Por isso, quando a escola começou em agosto deste ano, sentei-me no chão do lado de fora do parlamento sueco. Eu fiz greve às aulas pelo clima.Alguns dizem que eu deveria estar na escola. Alguns dizem que eu deveria estudar para me tornar uma cientista do clima para poder “resolver a crise climática”. Mas a crise climática já foi resolvida. Já temos todos os factos e soluções.E porque é que eu deveria estar a estudar para um futuro que em breve pode não existir, quando ninguém está a fazer nada para salvar esse futuro? E qual é o objetivo de aprender factos quando os factos mais importantes não significam nada para a nossa sociedade?Hoje queimamos 100 milhões de barris de petróleo todos os dias. Não há política para mudar isso. Não há regras para manter todo esse petróleo no solo. Por isso, não podemos salvar o mundo seguindo as regras, porque as regras têm de ser mudadas. Por isso, não viemos aqui para implorar aos líderes mundiais que cuidem do nosso futuro. Eles ignoraram-nos no passado e vão ignorar-nos novamente. Viemos aqui para que eles saibam que a mudança está a chegar, quer gostem quer não. As pessoas vão enfrentar o desafio. E como os nossos líderes estão a portar-se como crianças, teremos que assumir a responsabilidade que eles deveriam ter assumido há muito tempo.»



1 comentário:

lupuscanissignatus disse...

Tocar na ferida. Em Espinho, os políticos preferem enfiar a cabeça na areia...