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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Bico calado

  • «(…) Conheço muito mal Rui Rio mas um dia fiz uma conferência com ele sobre jornalismo e política. Ouvi-o falar e fiquei siderado. Percebi é um defensor da censura. Deixem-no à solta e é um censor. Ele não entende o que é a liberdade de imprensa e por isso vai ter sempre um conflito com a imprensa. (…) É um caminho suicidário. E até acho que a imprensa é muito branda com ele porque percebe que ele nunca chegará ao poder. Se quisesse exterminá-lo já o teria feito. » Miguel Sousa Tavares, entrevistado por Maria Lopes, no Público de 16dez2018.
  • O dono da fazenda São Francisco, em Bonito, alvo de ação em 2016 que lhe valeu multa de R$ 10 milhões, Adolpho Mellão Cecchi, doou R$ 20 mil para a deputada federal e futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), na campanha de 2018. Campo Grande News.
  • «A globalização era toda sobre a liberdade do capital e a falta de liberdade das pessoas. O internacionalismo deve ser tudo sobre a liberdade das pessoas e restringir o génio financeiro. O dinheiro é um bem público que nunca é produzido de forma privada, por isso tem que ser controlado publicamente». Yanis Varoufakis, in The Nation.
  • Utsa Patnaik calcula que o Reino Unido extraiu 45 triliões de dólares da Índia entre 1765 e 1938, desmontando assim o mito segundo o qual o Reino Unido teria perdido com a colonização da Índia. Tudo conseguido através de um truque. «A Companhia das Índias Orientais assumiu o controlo do subcontinente e estabeleceu o monopólio sobre o comércio indiano e começou a cobrar impostos, usando cerca de um terço dessas receitas para financiar a compra de bens indianos para uso britânico. Isto é, em vez de pagar pelos bens indianos do seu próprio bolso, os comerciantes britânicos adquiriam-nos de graça, "comprando" de camponeses e tecelões usando dinheiro que acabara de ser tirado deles. Alguns dos bens roubados foram consumidos na Grã-Bretanha e os demais foram reexportados para outros lugares. O sistema de reexportação permitiu que a Grã-Bretanha financiasse um fluxo de importações da Europa, incluindo materiais estratégicos como ferro, alcatrão e madeira, que eram essenciais para a industrialização britânica. De fato, a Revolução Industrial dependia em grande parte desse roubo sistemático da Índia. Além disso, os britânicos conseguiram vender os bens roubados para outros países a preços muito mais altos do que os tinham "comprado", embolsando não só o valor integral original das mercadorias, mas também uma margem de lucro. Quando o monopólio da Companhia das Índias Orientais acabou, os produtores indianos puderam exportar os seus produtos diretamente para outros países, sendo os pagamentos feitos em Londres. Como? Quem quisesse comprar produtos da Índia faria isso usando notas especiais do Conselho - uma moeda de papel única emitida apenas pela Coroa Britânica. E a única maneira de conseguir essas moedas era comprá-las com ouro ou prata a partir de Londres. Assim, os comerciantes pagariam a Londres em ouro para conseguir as moedas e depois usavam as moedas para pagar aos produtores indianos. Quando os indianos descontavam as moedas no escritório colonial local, eles eram "pagos" em rúpias com a receita de impostos - dinheiro que acabava de ser coletado deles. Por isso, mais uma vez, eles não eram de facto pagos; eram defraudados. E Londres ficava com todo o ouro e prata que deveria ter ido diretamente para os Indianos pela venda das suas exportações. Embora a Índia gerasse um enorme superávit comercial com o resto do mundo - um superávit que durou três décadas no início do século 20 -, ele revelou um déficit nas contas nacionais porque o rendimento real da Índia proveniente das exportações eram apropriadas na sua totalidade pela Grã-Bretanha. E esse défice obrigava a Índia a contrair empréstimos ao Reino Unido para financiar as suas importações. Portanto, toda a população da Índia era obrigada a endividar-se desnecessariamente aos seus senhores coloniais, o que reforçava o controlo britânico. Este sistema permitiu o financiar não só a expansão do capitalismo na Europa, no Canadá e na Austrália, mas ainda a invasão da China nos anos 1840s e a supressão da revolução indiana em 1857. A população indiana pagava a respetiva fatura. Durante toda a história de 200 anos do domínio britânico na Índia, quase não houve aumento na rendimento per capita dos indianos. De facto, durante a última metade do século 19 - o auge da intervenção britânica – o rendimento na Índia caiu para metade. A expectativa média de vida dos indianos caiu um quinto entre 1870 e 1920. Dezenas de milhões de pessoas morreram desnecessariamente de fome induzida por estas políticas. A Grã-Bretanha não desenvolveu a Índia. Muito pelo contrário, conclui Patnaik: a Índia desenvolveu a Grã-Bretanha.»
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