quinta-feira, 12 de julho de 2018

Bico calado

Foto: Michal Tomasek
  • «O sindicato dos trabalhadores da Fiat, que é um dos patrocinadores da Juve, da fábrica de Melfi anunciou que vão entrar em greve devido à contratação de Cristiano Ronaldo (105 milhões de euros) para a Juventus.Não é aceitável que os trabalhadores continuem a fazer enormes sacrifícios económicos, enquanto a companhia gasta milhões de euros num jogador. Eles dizem às famílias para apertarem cada vez mais o cinto e eles decidem investir tanto dinheiro num jogador. Acham isso justo? É normal uma pessoa ganhar milhões, enquanto milhares de famílias a meio do mês já não têm quase dinheiro? Somos todos empregados como o dono e esta diferença de tratamento não pode continuar. Os trabalhadores da FIAT deram uma fortuna aos patrões nas últimas três gerações, mas em compensação foram compensados com uma vida de miséria. A FIAT deveria investir em novos modelos que garantem o futuro de milhares de pessoas, do que enriquecerem apenas uma pessoa. Esse é que deveria ser o objetivo. A companhia deveria colocar os interesses dos seus empregados em primeiro lugar. Se isso não acontece, é porque eles preferem o mundo do futebol, entretenimento do que tudo o resto. Pelas razões descritas acima, o Sindicato declarou uma greve na fábrica de Melfi entre as 22 horas de domingo de dia 15 de julho e as 18 horas de terça-feira dia 17 de julho”, revela o comunicado do Sindicato.» A Bola.
  • «Mesquita Machado condenado a três anos de prisão com pena suspensa. Para o tribunal, o antigo autarca do PS teve intenção de favorecer patrimonialmente a filha e o genro, lesando o erário público, num negócio imobiliário.» Público.
  • O novo secretário britânico para o Brexit, Dominic Raab, está associado ao Institute of Economic Affairs (IEA) e ao Free Enterprise Group, dois poderosos grupos de pressão que defendem, entre outras medidas, a privatização do sistema nacional de saúde. O IEA é financiado pela indústria tabaqueira, pelos American Friends, pela Templeton Foundation, dos quais têm recebido centenas de milhares de libras. Open Democracy UK.
  • A Comissão Europeia contratou as 4 maiores firmas mundiais de contabilidade, - Deloitte, EY, KPMG e PricewaterhouseCoopers (PWC) -, para a ajudar a combater a evasão fiscal. Ironicamente, são precisamente essas 4 grandes que ajudam, como intermediárias e facilitadoras, as multinacionais a «otimizar» os seus impostos em paraísos fiscais. Tax Justice. Sobre o assunto, vale a pena ler este relatório do Corporate Europe Observatory.
  • «(…) As autoestradas de informação continuam, como sempre, a ter um sentido único. A não ser para quem procure lugares inexplorados, como antes procuraria através de assinaturas de jornais estrangeiros. Há um país, em todos os países, que ganhou acesso a um mundo distante. É uma minoria. A maioria continua fechada nos limites da proximidade, informando-se pela televisão ou apenas acompanhando na internet as polémicas nacionais. Os telejornais nunca foram, aliás, tão domésticos como são hoje. E quem faz programas de debates sabe que um assunto internacional faz cair as audiências para metade num só minuto. A ideia de que vivemos ligados ao mundo é uma ilusão das elites. Para a maioria, vivemos ainda mais fechados na nossa pequenez. O que quer dizer que há uma elite cada vez mais globalizada e uma maioria cada vez mais nacionalizada. Isto é assim na informação, na cultura e, é bom recordar, na política, com as consequências que temos visto. (…)» Daniel de Oliveira, in O mundo numa grutaExpresso 10jul2018.

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