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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Avareza 21

Foto: Joop van der Linde/Ndutu Safari Lodge via/AP

«As suas conclusões são enviadas para Roma num relatório. A pequena igreja deu um passo mais longo do que a perna, criando um império económico de papel. A aventura começa no início dos anos noventa, quando a diocese de Maribor constitui o Banco Krek (em dez anos torna-se o décimo instituto do país, mas em 2002 é vendido) e uma sociedade comercial (Gospodarstvo Rast). Passados 
uns anos nascem duas holdings para investimentos e business simultaneamente, a Zvon 1 e a Zvon 2, controladas por sua vez pela Rast. 
As sociedades compram imóveis, outras sociedades por ações, fazem hipotecas com os bancos, dos quais adquirem empréstimos de dezenas de milhões, decidem investir não só em financeiras e empresas seguras, mas também em setores tecnológicos como as fibras óticas e as telecomunicações. Só a holding Zvon 1 tem “invéstimentos a longo prazo equivalentes a 416 milhões de euros”, lê-se no relatório cognitivo, "e dívidas fora do orçamento equivalentes a 524 milhões".
Nada correu como previsto: "Há a possibilidade real”, conclui o dossiê, "de todas as sociedades indicadas caminharem para a falência. As consequências seriam pesadas". Entre os vários investimentos da Igreja eslovena há de tudo: 94 milhões em ações do Banco Abanka, 72 milhões na empresa Helios, especializada em materiais de construção, 13 milhões na sociedade de gestão Krek, 18,8 na Petrol (energia, gás e petróleo), outros 22 na misteriosa Cinkarna, cujo core business é a produção e a distribuição de "pigmentos de dióxido de titânio". Também existem empresas no estrangeiro, na Croácia, como a Sole Orto, para a qual foram movimentados 20 milhões de euros. O investimento "mais crítico", lê-se, é o da T-2 (120 milhões no total), uma sociedade que se define na Internet, sem modéstia, como "o Futuro". É controlada quase a cem por cento pelas duas holdings eclesiásticas e as suas atividades concentram-se em serviços de telefone, Internet e televisão veiculados aos clientes através de uma rede de fibra ótica construída especificamente para esse fim. Mas "o Futuro" nunca chegará: entre passivos financeiros e o complemento da rede ainda são necessários 200 milhões de euros, enquanto as dívidas de curto prazo superam nove vezes as ativida-des correntes. A sociedade de consultadoria KPMG, que fez uma perícia por conta do Vaticano, dá por perdido mais de 70 por cento do capital investido: o valor estimado em junho de 2010 oscilava entre os 24,6 e os 28,6 milhões de euros. Uma ninharia. "E neste momento", explicava o técnico do Vaticano, "não há nenhum interessado na aquisição da T-2 que ofereça uma quantia mais elevada". Como num dominó, a falência ameaça partir precisamente daqui: será difícil salvar a T-2 e, no ponto em que está, será necessário um milagre para salvar a Zvon 1.»

Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016
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