sexta-feira, 11 de março de 2016

Bico calado

Imagem retirada daqui.
  • «Quanto ao discurso de Marcelo, sejamos claros: não teve interesse nenhum. Foi redondinho como uma bola de bilhar e com duas caras como Janus. (…) Em resumo, foi uma chatice. Paulo Portas elogiou a qualidade literária do discurso de Marcelo. Mentiu. Marcelo sempre foi infinitamente melhor a falar do que a escrever – é o típico professor de Direito. Nem sequer faltou a habitual citação foleira de Miguel Torga, que passou incessantemente nos rodapés das televisões: “Valemos muito mais do que pensamos ou dizemos.” A sério? Valemos? Mais do que pensamos e mais do que dizemos? Pelo amor da santa. Nada tenho contra discursos de miss Universo, mas tenho alguma coisa contra os discursos que insistem em sublinhar a singularidade portuguesa e a sua “vocação ecuménica”, como lhe chamou Marcelo. É mais uma derivação do Quinto Império e desta mania do povo eleito, que apenas serve para promover uma vida com a cabeça em nuvens sebásticas. Se nos julgássemos menos singulares, mais iguais a toda a gente, e arregaçássemos as mangas para trabalhar com os outros, era tão, mas tão mais útil.» João Miguel Tavares in O presidente de tooooodos os portugueses – Público 9mar2016, Via O voo do Corvo.
  • «(…) Por razões institucionais e por diplomacia para quem acabou de chegar, eu teria aplaudido sem cansar muito as mãos a banalíssima intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa sobre as nossas grandezas passadas e as nossas qualidades presentes. Mas não é essa a critica que o "Público" faz aos deputados que decidiram, no livre exercício da sua vontade, não o fazer. O que espanta a quem escreveu este perturbante editorial é como é possível não entrar em delírio perante o "discurso notável de Marcelo Rebelo de Sousa". E se é assim, do meu lado vem uma resposta: para considerar aquele discurso "notável" e não apenas "aceitável" ou "conveniente para o momento" é preciso sofrer de uma extraordinária ignorância política e histórica. Como muito bem diz João Miguel Tavares (alguma vez concordaríamos), o discurso "não teve interesse nenhum". Até do ponto de vista literário foi redondo, previsível, barroco. Marcelo não disse nada. Por razões políticas, fez bem em ficar por aí. Mas, ao que parece, o vazio tem outra vantagem: entusiasma este novo tipo de jornalismo despolitizado e levezinho.» Daniel Oliveira, in FB.

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