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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Quem tem medo da madeira trazida pelo mar?


Os fortes temporais que se abateram sobre a costa norte de Portugal destruiram muitos setores de passadiços sobre dunas. As marés vivas também arrastararam para as praias muita madeira. Como ninguém lançou nenhuma ação de limpeza e aquela biomassa estava há muito tempo abandonada, muito boa gente julgou oportuno apanhar o material para o queimar nas suas lareiras em vez de, para o mesmo feito, ter de pagar 4 e mais euros por pequenos sacos de madeira em superfícies comerciais. Porém, a festa acabou-se após várias denúncias feitas à polícia, à Águas de Gaia e à câmara de Gaia. Os catadores de madeira foram identificadas pelas autoridades, o material foi-lhes confiscado e os 15 Km de praias estão a ser limpos por 20 militares destacados pelo Regimento de Artilharia da Serra do Pilar. E, para rematar, Silva Martins, da Águas de Gaia veio meter medo às pessoas que levaram a lenha das praias. Diz ele que “a combustão da madeira com o sal resulta em matérias que eventualmente até são cancerígenas” (sic). 

A fazer fé na veracidade e rigor da reportagem, nunca tinha ouvido dizer que a madeira trazida pelo mar, queimada depois de seca, era cancerígena. Se a madeira usada no passadiço foi impregnada de produtos para a conservar, isso é outra estória. Mas mesmo assim, essa madeira já fora aplicada há muito tempo, tendo a ação do sol, da chuva, do vento e até humana neutralizado o tratamento. Até prova em contrário, cheira-me que andam aqui pózinhos do lóbi dos combustíveis fósseis. Se ter aquecimento através da madeira é poluente, então com madeira salgada isso será perigoso e cancerígeno. Mas ter calor em casa produzido a partir de gás ou de eletricidade será limpo, não é meus senhores? Só se for apenas nas casas de quem tem dinheiro para isso, porque nos sítios onde os combustíveis são extraídos, produzidos e refinados, a música será outra. Deixem quem precisa apanhar lenha para se aquecer. Deixem limpar as praias. Daqui a pouco também querem proibir o pessoal de apanhar pinhas e gravetos nas matas e florestas abandonadas ou semi abandonadas por esse país fora? A propósito, o jornalista da Lusa e o editor do Público sabem o que é entulho?
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