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sábado, 13 de outubro de 2012

Dengue e chuva na Madeira - uma questão de segredo de Estado?

Foto: Mohd Rasfan/AFP/Getty Images, via Guardian.

O governo da Madeira apresentou queixa contra a RTP devido a reportagem sobre dengue e na qual turistas são confrontados, no aeroporto e à porta de hoteis, com a existência de casos desta doença na região. João Jardim considera que a situação configura um crime de sabotagem económica não só contra o turismo e a economia da região autónoma, mas também de toda a economia nacional.

Para melhor compreendermos esta atitude do governo de João Jardim, que poderá ser interpretada como motivada por teorias da conspiração, valerá a pena recordar o filme dos acontecimentos que a antecederam.

No dia 3 de outubro, o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da Madeira torna pública a existência de dois casos confirmados de febre de dengue, cuja transmissão ocorre através da picada dos mosquitos “Aedes aegypti” quando infetados com o vírus. 
Posteriormente, a 4 de outubro, o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da Madeira e a Direção Geral de Saúde referem outras 22 pessoas suspeitas de ter a doença, o que pode configurar um surto da doença no arquipélago, não havendo motivo para alarme.
Entretanto, citado pela Lusa/RTP, o investigador Paulo Gouveia de Almeida, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, admite que a população de mosquitos causadores de dengue tem alastrado pela periferia da ilha da Madeira, mas está controlada e monitorizada.
No dia 5 de outubro, o presidente do conselho de administração do Serviço Regional de Saúde, Miguel Ferreira, informa que o número de casos de dengue confirmados subira para 34

Se João Jardim acusa a RTP de fazer sabotagem económica à Madeira ao expôr os turistas à presença do dengue na ilha, e por isso faz queixa da RTP a quem de direito, também vai queixar-se, e  quiçá, processar, os autores e realizadores de um programa da RTP2 que, no dia 12 de outubro, 6ª feira ao fim da tarde, apresentou exteriores do Funchal e arredores em dia de chuva e de nevoeiro na serra e não censurou uma senhora a dizer que na Madeira, todos os dias, há 4 estações do ano. Se assim é, então eu cada vez mais comprerendo por que razão os media continentais, durante muito tempo e diariamente, omitiam qualquer referência à queda de chuva no Funchal e, quando não o faziam, gaguejavam tanto e davam tantas voltas na língua e na gramática como se estivessem a pedir licença para dizerem que ia chover no Funchal. É que, pelos vistos, na cabeça de muito boa gente, a ausência de chuva atrai turistas, não os afugenta, e o silêncio sobre o dengue também parece atrair turistas.
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2 comments:

OLima disse...

Diário de Notícias
Sexta, 12 de Outubro de 2012
Duarte Caldeira Ferreira

Não há dúvida que os madeirenses estão a pagar pela negligência, corrupção ou ainda incompetência, ou tudo junto, que permitiu a entrada do mosquito transmissor do Dengue, com o "visto" do Governo Regional, na Madeira, em especial na zona Sul da Madeira, com maior incidência no Funchal e em Camara de Lobos, mas que em breve alastrará por toda a Costa Sul e que devido às alterações climatéricas talvez chegue ao Norte da Ilha.

Ele chegou cá e em força, mas como é que ele entrou? Vejamos uma pequena história que merece ser investigada pelo Ministério Público: A Madeira Nova fez uma série de investimentos que contemplavam alguns jardins com as palmeiras típicas da macaronésia, também conhecida como Palmeira das Canárias e cujo nome científico é Phoenix Canariensis, o que aliás estaria de acordo com a nossa opinião. Mas como em tudo na vida aparecem sempre "uns chicos espertos", que alteram e deturpam tudo por causa do dinheiro, ou melhor dos lucros. Assim começaram a importar palmeiras do Norte de África, de outra espécie conhecida por palmeira tamareira, abundante nos desertos daquela zona e que chegam a formar os oásis, que cientificamente é a Phoenix Dactylifera, curiosamente já existente na Madeira e com muito boa adaptação. Pensa-se que oriundas de sementeiras das tâmaras que se utilizam para comer…Simplesmente estas palmeiras trouxeram dois bónus: Ovos de mosquitos do Dengue e o escaravelho das palmeiras.(...)

Ambos multiplicaram-se rapidamente com a passividade das autoridades regionais e Camarárias, que pouco fizeram para evitar que alastrassem.
Mas pergunta-se porquê a entrada destas palmeiras? Simplesmente por um facto: ganhar mais dinheiro. A palmeira das canárias custa três vezes mais que a palmeira tamareira. Facturava-se uma e plantava-se outra…era uma mina….nem o governo Regional, nem as Câmaras, nem as Sociedades de Desenvolvimento se interessaram por isso, nem tão pouco se aperceberam porque confiavam nas empresas de fiscalização de obras, a quem pagavam para tudo controlarem, incluindo os jardins, apesar de não terem pessoal com capacidade técnica para uma fiscalização capaz, nem terem ido à procura de quem sabia…Gastou-se rios de dinheiro em jardins que deveriam custar muito mais barato porque muitas vezes nem as plantas, nem os tamanhos previstos nos cadernos de encargos eram utilizadas.

Se o Ministério Público investigar, facilmente se perceberá o que na realidade se passou: Importação de plantas que não eram contempladas nos projectos paisagísticos, devidamente autorizada e controlada pelos serviços de inspecção sanitária, embora reconheçamos que muitas vezes é difícil detectar a entrada de ovos minúsculos, principalmente quando não se está alertado para tal facto; alguém ganhou a diferença de preço entre a planta projectada e a plantada (3 vezes); As empresas de fiscalização não tinham capacidade técnica para fiscalizarem todas as obras (note-se que algumas dessas empresas quando se referem aos jardins, falam em "couves"), nomeadamente a parte de jardinagem, que ponham o visto sem saberem o que estavam a fazer, pois limitavam-se a contar o número de plantas e nada mais; a maior parte dos ajardinamentos foram feitos por empresas de jardinagem, que também nem técnicos ligados ao sector têm (qualquer pessoa pode montar uma empresa desse género, sem ter o mínimo de conhecimentos sobre a matéria, nem sabendo o nome das próprias plantas.
Parece-me que é fácil descobrir os culpados pela entrada daqueles insectos que passamos a citar: Governo Regional, Câmaras Municipais e Sociedades de Desenvolvimento; empreiteiros e sub empreiteiros da construção civil; empresas de fiscalização de obras públicas
Quero recordar que a própria Câmara Municipal do funchal, também importou do Egipto, palmeiras para a Estrada Monumental, zona do Madeira Palácio, através de um importador de plantas do continente, entre outras.

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/348982-pequena-historia-sobre-mosquitos

OLima disse...

Borras de fé combatem dengue
http://www.combateadengue.com.br/borra-de-cafe-pode-matar-aedes-aegypti-aponta-pesquisa/

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