Soneto da República Genuflexa
Em Cascais, entre cânticos e véus ao vento,Patriarca abençoa a obra recém‑erguida;E três figuras, num devoto movimento,Persignam-se em coro — coreografia bem urdida.Em Espinho, Ratola canta hossanas com fervor,Louva a Senhora d’Ajuda, rainha das festividades;E o povo, entre fé, negócio e algum calor,Mistura crença com turismo em certas cumplicidades.Porém, a pobre Constituição, exausta de pancadas,Grita ao ver o Estado laico em nova contradição:Facadas simbólicas, sempre bem coreografadas.E o país segue, entre procissões e inaugurações,Num bailarico onde a República, ajoelhada,Confunde altar com palco — e fé com promoções.
- Deliciem-se com este mui sugestivo título na capa do Maré Viva de 23Set2026.
- “Hoje não sou português nem alemão, não sou austríaco, italiano ou polaco. Um cidadão do mundo não assiste, calado, sentado e passivo, ao discurso de assassinos e genocidas quando as suas vítimas estão, neste momento e amanhã, a morrer em hospitais, mutiladas, sem casa, perseguidas, torturadas ou já enterradas às dezenas de milhares, na Palestina, no Líbano, na Síria, no Iraque e no Irão. Hoje sou um europeu espanhol, irlandês e esloveno, sou um africano moçambicano ou angolano, sou um americano brasileiro e peruano, sou um asiático usbeque ou malaio e sou mais meia centena de nacionalidades, porque levantar da cadeira e abandonar a sala é o gesto de protesto mínimo contra um orador que é o principal responsável por milhares de crianças assassinadas, enterradas em cemitérios em terra batida ou desaparecidas debaixo de montanhas de entulho dum país bombardeado e em ruínas. Só lamento não terem também abandonado a grande sala quando discursou o outro criminoso de guerra, cúmplice genocida e terrorista de estado, um criminoso condenado, um autocrata acusado de violações e suspeito de actos de pedofilia.” Miguel Szymanski.
- Como três irmãos construíram um império de conteúdo de má qualidade baseado em IA, comprando sites de notícias legítimos e transformando-os em «fábricas de conteúdo» fantasmas que, segundo eles, registam 50 milhões de visualizações de páginas por mês. Fonte.
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