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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

REFLEXÃO

SE JÁ ESTÁS COM MEDO, ESPERA SÓ ATÉ OUVIRES FALAR DO PROJETO MANHATTAN 2.0
Kristen Thomason, BNG. Rev. O’Lima

O presidente dos EUA, Donald Trump, ladeado por diretores executivos do setor da energia nuclear e responsáveis governamentais, discursa durante um anúncio sobre a inovação nuclear americana no Salão Oval da Casa Branca, a 24 de julho de 2026, em Washington, DC. Trump está a assinar várias ordens executivas que visam o setor da energia nuclear e que flexibilizam as regras relativas a novos reatores e às cadeias de abastecimento de combustível nuclear. (Foto de Eric Lee/Getty Images)

O “Projeto Manhattan 2.0” da administração Trump — um conjunto de decretos executivos emitidos entre 2025 e 2026 — acelera drasticamente o desenvolvimento de reatores nucleares para satisfazer as necessidades energéticas dos centros de dados de inteligência artificial das empresas tecnológicas, ao mesmo tempo que desmantela proteções de segurança, ambientais e regulamentares de longa data. Isto pode expor os trabalhadores e o público a riscos significativos de radiação e criar problemas de resíduos nucleares a longo prazo.

O Projeto Manhattan 2.0 e2xiste porque os gigantes da tecnologia (Amazon, Meta, Google, Microsoft) querem energia nuclear barata e abundante para alimentar centros de dados de IA em rápida expansão. A ONU prevê que estes centros dupliquem o consumo de electricidade e de água até 2030.

Ao assinar vários decretos executivos, Trump permitiu que empresas privadas construam reatores experimentais em terrenos federais, ignorando as normas ambientais e a supervisão da Comissão Reguladora Nuclear (NRC). O passo seguinte foi reestruturar a NRC e remover as normas de segurança para acelerar as aprovações, reduzir a revisão independente de segurança e enfraquecer os limites de exposição à radiação.

As novas regras questionam o consenso científico de que nenhum nível de radiação é completamente seguro. Estudos com centenas de milhares de trabalhadores da indústria nuclear mostram que mesmo a exposição a baixos níveis de radiação aumenta o risco de cancro. O Departamento de Energia (DOE) aumentou discretamente os limites de exposição permitidos para os trabalhadores e o público em geral, o que poderá elevar as taxas de cancro.

As startups selecionadas para o programa piloto vão testar Pequenos Reatores Modulares (SMRs) e novos combustíveis como o TRISO. A indústria afirma que estes combustíveis são seguros sem as estruturas de contenção tradicionais, mas as análises independentes mostram que podem sobreaquecer. Os SMR produzem resíduos nucleares mais reativos e de armazenamento mais difícil do que os reatores tradicionais.

Além disso, o Departamento de Energia (DOE) reduziu os requisitos de gestão de resíduos, condensando um manual de 59 páginas em 25 tópicos. A monitorização da contaminação das águas subterrâneas é agora opcional. Os limites de exposição pública foram aumentados, o equivalente a 50 radiografias adicionais por ano.

Devido à insuficiência de urânio, as empresas podem converter o plutónio das ogivas nucleares desmanteladas em combustível para os reatores. O plutónio é extremamente tóxico, difícil de manusear em segurança e atrativo para as armas — contudo, as normas de segurança foram flexibilizadas.

A administração Biden propusera anteriormente a expansão da capacidade nuclear com mais funcionários na NRC e processos de consentimento da comunidade, e não a desregulação. Outros países (Canadá, Finlândia, China) estão a expandir a energia nuclear, mas mantendo padrões rigorosos de segurança e ambientais.

Embora o Projeto Manhattan original tenha mantido os seus custos em segredo durante uma geração, o custo total para a saúde e o ambiente do «Projeto Manhattan 2.0» — alcançado através de uma onda imprudente de desregulamentação — poderá ser devastadoramente elevado.

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