O TRATAMENTO DADO À SELEÇÃO IRANIANA NO MUNDIAL REVELOU OS DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS DO OCIDENTE E DA FIFA
Fatima Bhutto, Substack. Rev, O’Lima.
Quando a seleção iraniana de futebol partiu de Los Angeles após o seu segundo jogo no Mundial de 2026, deixou para trás um bilhete escrito à mão no vestiário, agradecendo à cidade pela «sua hospitalidade».
A cortesia iraniana é famosa, mas «hospitalidade» não é a palavra que me vem à cabeça quando penso na forma como a seleção nacional iraniana tem sido tratada pela FIFA e pelos Estados Unidos, um dos países anfitriões do Mundial de 2026. Não só o presidente Donald Trump não deu as boas-vindas à equipa em março, afirmando que não considerava «apropriada» a participação da equipa no torneio, invocando possíveis perigos para as suas «vidas e segurança», como o seu governo recusou o maior número possível de vistos, exigiu que a equipa deixasse os EUA imediatamente após cada jogo e obrigou-a a estabelecer a sua base do outro lado da fronteira, no México, permitindo inicialmente a entrada nos grandes Estados Unidos apenas nas 24 horas que antecediam um jogo. Quando o hino nacional iraniano foi tocado, como é habitual, antes dos seus dois jogos no Estádio de Los Angeles, parte da multidão vaiou.
Em todas as conferências de imprensa, jornalistas que passaram a carreira a fazer perguntas fáceis aos desportistas fizeram questão de interrogar o capitão iraniano Mehdi Taremi da forma mais irritante possível, perguntando-lhe, após o empate 1-1 da equipa contra o Egito, se apoiava as pessoas LGBT.
«Respeitamos todas as pessoas LGBT», respondeu Taremi, antes de perguntar se o jornalista tinha alguma pergunta sobre o próprio jogo de futebol que tinha sido disputado. Só podemos supor que Kylian Mbappé, o capitão francês, tenha sido questionado sobre a estagnação da economia francesa provocada por Emmanuel Macron, que o capitão austríaco tenha sido questionado sobre o fascínio do seu país por políticos de extrema-direita e que o capitão da seleção argentina tenha sido obrigado a responder sobre o motivo pelo qual Javier Milei é tão excêntrico. Mas isso não aconteceu.
Será que perguntaram ao capitão dos EUA sobre o financiamento do seu país ao genocídio de Israel em Gaza, ou sobre o bombardeamento de uma escola de raparigas que matou pelo menos 100 crianças em Minab no primeiro dia da guerra de Trump contra o Irão? Não? Que surpresa.
Tenho idade suficiente para me lembrar de quando as celebridades americanas e os comentadores britânicos fizeram um alarido por o Qatar ser anfitrião do Mundial.
Taremi fala sobre o golo anulado no final do jogo e sobre a invencibilidade na Copa do Mundo. Youtube (9’)
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