EMIRATOS REALIZAM 300 SEMEADURAS DE NUVENS POR ANO
Ines Eisele, Cai Nebe, Emad Hassan, Alima de Graaf e Ardit Toca, Deutsche Welle.
Trad. O’Lima.
Um piloto e um responsável dos Emirados Árabes Unidos verificam os foguetes de sal numa aeronave de semeadura de nuvens no aeroporto de Al-Ain, em 2015. Os Emirados Árabes Unidos realizam cerca de 300 missões de semeadura de nuvens por ano para combater a escassez de água. Imagem: Marwan Naamani/AFP
(...) Os Emirados Árabes Unidos têm um centro denominado Programa de Investigação para a Ciência do Aumento da Precipitação (UAEREP). (...)
O UAEREP existe desde 1990 e «está na vanguarda do avanço da investigação sobre o aumento da precipitação e da promoção de inovações que reforçam a segurança hídrica global».
Ambos financiam investigação em todo o mundo e conduzem as suas próprias operações de semeadura de nuvens.
«Estou muito familiarizado com isso», disse Armin Sorooshian, um investigador da Universidade do Arizona que estuda os efeitos das partículas de aerossóis nas nuvens. «Para quem estuda física atmosférica e interações entre aerossóis e nuvens, esta é uma oportunidade de financiamento que existe há muitos anos, na qual as pessoas apresentam propostas a este programa.»
O que é a sementeira de nuvens?
Esta tecnologia remonta a meados do século XX e é conhecida como sementeira de nuvens. Os cientistas descobriram uma técnica para estimular a chuva a partir de nuvens que já se encontram prestes a precipitar. Para tal, lançam agentes como o iodeto de prata ou o cloreto de sódio nas nuvens, utilizando aviões ou lançadores terrestres.
«O ponto-chave aqui é que isto não faz chover do nada», explicou Edward Gryspeerdt, professor de física atmosférica no Imperial College London. «Não se pode ter um céu limpo, semeá-lo de repente e ver aparecerem nuvens e chuva. É preciso que essas nuvens já estejam prestes a chover, e o que se faz é, de certa forma, empurrá-las para além desse ponto.»
Como as nuvens já têm de estar propensas à precipitação, pode ser difícil medir a eficácia da técnica. É normalmente utilizada em ambientes de pequena escala, como para aumentar a camada de neve numa pista de esqui, explicou Gryspeerdt. Nos Emirados Árabes Unidos, o objetivo é combater o stress hídrico.
Capacidade de semeadura de nuvens «em escala muito reduzida»
Até à data, as tecnologias de semeadura de nuvens não conseguem influenciar os padrões meteorológicos em toda uma região.
«Mesmo que funcionassem, continuariam a ser aplicadas numa escala muito reduzida», afirmou Gryspeerdt. «Não atingem uma escala que lhes permita alterar os padrões de fluxo atmosférico, por exemplo, e desviar a chuva para o outro lado do planeta.»
A literatura científica atual sugere que a semeadura de nuvens pode aumentar a precipitação em 5-20% numa microescala.
«Talvez essa precipitação possa durar mais tempo e cair noutro local, mas a escala de que estamos a falar (…) é muito maior do que aquilo que pode ser alcançado com uma instalação de semeadura», afirmou o investigador Armin Sorooshian.
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