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segunda-feira, 16 de março de 2026

REFLEXÃO

NÃO SE PODE BLOQUEAR O SOL
Julien Jreissati, Greenpeace. Trad. O’Lima.


As manchetes são cada vez mais dominadas pela subida dos preços do petróleo e do gás e pela volatilidade do mercado. Quando a economia global depende de uma fonte de energia centralizada que só está disponível em muito poucos locais no mundo, os mísseis fazem muito mais do que simplesmente interromper o fluxo dessa energia. Abalam os próprios alicerces da estabilidade global, pois toda a sociedade depende de que essa energia continue a fluir.

A crise atual é um argumento trágico e inegável por que devemos acelerar a transição para um sistema baseado em energias renováveis.

Não se trata apenas de emissões de carbono nem de objetivos climáticos. Trata-se de resiliência, segurança e sobrevivência. Eis porque uma transição descentralizada, impulsionada pelas energias renováveis, é um caminho para a paz, a segurança energética e económica:

Fortalecimento da rede elétrica: Não se pode destruir o sol. É incrivelmente difícil desativar uma rede descentralizada de milhões de painéis solares, turbinas, baterias, centrais hidráulicas, etc. A energia distribuída é mais resistente à sabotagem do que algumas centrais térmicas e nucleares massivas e vulneráveis.

Acabar com a dependência energética: Os conflitos provocam bloqueios e colapsos na cadeia de abastecimento. Um país que produz a sua própria energia a partir do sol, do vento e da água não fica à mercê da interrupção das rotas marítimas ou da volatilidade dos mercados do petróleo e do gás.

Soberania económica: Com o aumento dos preços, as nações que dependem de combustíveis importados enfrentam uma inflação devastadora. A transição para as energias renováveis locais funciona como uma proteção contra as crises provocadas pela guerra, mantendo os custos previsíveis para as famílias quando estas estão mais vulneráveis.

Descentralização como defesa: Ao eliminar os «Ormuz» do nosso sistema energético, que podem falhar ou ser bloqueados propositadamente, garantimos que hospitais, escolas e residências possam manter o fornecimento de eletricidade mesmo que a rede nacional seja comprometida. Não é apenas um objetivo energético, mas um imperativo de segurança.

Há muito que defendemos a soberania energética, mas a situação atual demonstra que não se trata de um «luxo verde». É uma necessidade estratégica.

A transição para as energias renováveis é frequentemente apresentada como um objetivo climático. Mas numa região onde a estabilidade é frágil, é também um imperativo de segurança.

Precisamos de construir sistemas energéticos que sejam tão resilientes quanto as pessoas que deles dependem. As energias renováveis são a melhor (e muito necessária) forma de o conseguir.

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