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domingo, 4 de janeiro de 2026

BICO CALADO

  • “Estas são as maiores reservas de petróleo do mundo. Coincidência das coincidências, os EUA só não controlam as reservas do Irão, do Canadá e da Rússia. Tudo o resto encaixa com rigor quase científico no mapa do apetite estratégico. Ainda assim, há quem continue a vender esta cartografia da extracção como uma cruzada pela liberdade e pela democracia, quando o próprio Trump já admitiu, sem pudor nem eufemismos, que o objectivo são os recursos. O Iraque, como se sabe, foi libertado com base nas armas de destruição em massa que nunca existiram e é hoje um exemplo tão acabado de democracia que só existe em relatórios. O Kuwait beneficiou de idêntico humanitarismo, sustentado pela história comovente dos bebés retirados das incubadoras e atirados para o chão — uma mentira fabricada, mas suficientemente eficaz para justificar uma guerra. A Líbia, por sua vez, fecha o tríptico: tanta democracia distribuída que o Estado deixou simplesmente de existir para não atrapalhar a democratização. E, claro, há ainda a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, exemplos irrepreensíveis de democracias modernas, onde não se enforcam pessoas em espaços públicos nem se perseguem opositores políticos. Também não foi, evidentemente, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, quem ordenou o assassínio e o esquartejamento do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita na Turquia. As eleições nestes países são, como é sabido, sempre altamente concorridas e renhidas. Mas insiste-se. Sempre pela liberdade. Sempre com petróleo por perto. Fonte.
  • “(…) a ONU ainda se considera guardiã do direito internacional - ou apenas sua notária passiva? António Guterres não foi eleito para confrontar potências. Mas também não foi nomeado para assistir, em silêncio elegante, à erosão final das regras que justificam a existência da própria ONU. Adormecer não é uma opção neutra. É escolher o lado da força - por omissão. E a História, como sempre, toma nota.” João Gomes.
  • Trump afirma ter «capturado» e «expulsado» Nicolás Maduro, horas depois de orquestrar um ataque aéreo contra Caracas e outros pontos da Venezuela. A escalada militar de Washington neste país, sem o aval da ONU, não só viola o direito internacional, como antecipa um modelo de relações internacionais baseado no unilateralismo, na coerção e na força. Enrique López, Trump, o regresso da lei do mais forte – La Marea.

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