- 'O concurso internacional para a concessão de licenças dos casinos por 15 anos em Espinho, no Algarve e na Póvoa de Varzim só foi lançado pelo atual Governo a poucos meses de expirar o prazo do fim das concessões. E o resultado foi o esperado: o executivo de Luís Montenegro falhou o compromisso de fechar o processo antes de 31 de dezembro, sendo obrigado a prorrogar as concessões existentes até que o concurso esteja finalizado e as eventuais contestações ao seu resultado decididas. Quem irá beneficiar com esta prorrogação são os grupos detentores da atual concessão, a começar pela Solverde, a mais sonante cliente da Spinumviva, empresa criada pelo atual primeiro-ministro quando abandonou o escritório de advocacia. A Solverde detém as licenças dos casinos no Algarve (Praia da Rocha, Vilamoura e Portimão) e em Espinho. A proximidade entre os donos da Solverde e o primeiro-ministro vai para além das avenças com que o grupo remunerava mensalmente a Spinumviva. Após a moção de censura que teve origem na falta de transparência de Luís Montenegro para com a Assembleia da República, Manuel Violas e Montenegro fizeram-se fotografar a jogar golfe juntos em Espinho, a sua terra natal.' Fonte.
- “(…) Mas não o Luis. Não senhor. O nosso Montenegro quis aproveitar aqueles 6 minutos para sair um bocado da bolha, encher-se de ar puro, dar algum alento e motivação à plebe, antes de voltar para o prédio de 6 andares que deu entrada na câmara de Espinho como remodelação de uma casa rasteira. Disse-nos que vivemos uma altura histórica para dar o salto desejado e manter este crescimento económico pujante. Mas para isso é preciso trabalhar mais, exigir de cada um nós a excelência e a mentalidade de um Ronaldo, que tanto eleva o nome de Portugal. Nesta parte meti aquilo em pausa e refleti. A que parte da excelência do Ronaldo se estaria ele a referir? O atleta de elite com um profissionalismo nunca antes visto que tornou Portugal relevante no mundo da bola? Ou o pai que manda vir filhos pela Amazon, o milionário que paga para que se arquivem acusacões de violacão e o influencer que aceita ser boneco de uma ditadura a troco de uma fortuna incalculável? Tens que escolher, Luis. Visão selectiva só se aplica ao ministério público quando investiga a Spinumviva, não funciona para o público geral, aquela malta que fica de pé no espectáculo. (…) E dessa maneira, um senhor que recebia avenças numa empresa familiar a troco dos seus contactos, que é dono de 55 imóveis e a quem o ministério público fez o favor de fechar os olhos à Spinumviva, apareceu na vossa televisão a pedir-vos que trabalhem mais, que sejam Ronaldos e que percebam, de uma vez por todas, que nada cai do céu nesta vida. E não cai mesmo. Há que ter, pelo menos, um cartão do PSD.” Tiago Franco, QUASE TANTA LATA COMO IMÓVEIS.
- O Observatório Fiscal da União Europeia revelou que Portugal tem 40% do seu Produto Interno Bruto (PIB) "parqueados em paraísos fiscais: 115,8 mil milhões de euros". Esta cifra torna-nos um dos países do mundo com mais riqueza exfiltrada (vamos chamar-lhe assim), para off-shores. Por outras palavras, quase metade da riqueza criada pelo trabalho dos portugueses é evadida para praças financeiras ao serviço do lucro privado (ligação para a notícia abaixo). Compreende-se, assim, o elogio da revista The Economist que, proclamando a economia portuguesa como "a melhor do ano", fez com que, parolamente, os poderes instituídos transformassem o país, "cá dentro", por via de uma apreciação jornalística "lá de fora", numa espécie de "coelhinha" de capa da Playboy. Aproveitando o balanço, o Primeiro-Ministro espargiu papalmente votos de um "santo natal" para todos. Esquecendo a sua velha frase de 2015, "o país está melhor, as pessoas é que não", omitiu as urgências hospitalares fechadas, a miséria de quem não tem trabalho e de quem o tem, o clima intimidatório da extrema direitização do regime, a precariedade que passou de vínculo laboral a condição existencial. E esqueceu-se também de dizer como foi parar a offshores 40 por cento da riqueza produzida em Portugal. Preferiu falar de Cristiano Ronaldo, para prescrever aos portugueses uma "mentalidade" adequada. É decerto por falta de mentalidade que dois milhões de portugueses, entre os quais quases 300 mil crianças, estão abaixo do limiar de pobreza e não ao facto de 2,5 milhões de trabalhadores portugueses não chegarem a levar mais de 700 e poucos euros mensais para casa. Coisa que só lhes acontece por não terem mérito suficiente para se transformarem em Ronaldos da direita política, dos Conselhos de Administração das corporações do regime (deste e dos demais) ou, enfim, em Primeiros-Ministros disfarçados de Pai Natal. Que, tantas vezes off-side, Ronaldo aproveite o facto de ser aproveitado por um príncipe saudita para fazer negócios de armamento com Donald Trump, compreende-se. Trata-se do CEO do qual Ronaldo é "colaborador". Que o Primeiro-Ministro tente apanhar uma boleia idêntica do futebolista, trata-se de outra coisa, a saber, da vertiginosa derrapagem da mal concretizada ideia de democracia, para a ignomínia da sua transformação na mais rasteira e frívola demagogia que encobre o encontro entre a alta finança e a baixa política do qual é feita a "melhor economia do ano". Rui Pereira, O OFF-SHORE E O OFF-SIDE.
- Chega apoia o aumento de horário de trabalho dos camionistas. Fonte.
- A polícia israelita libertou um soldado que estava detido depois de ter sido filmado a atropelar com o seu veículo um palestiniano que rezava nos arredores da cidade de Ramallah, na Cisjordânia ocupada. Um vídeo sem som do incidente mostra um colono israelita com uma espingarda às costas a conduzir o seu veículo todo-o-terreno em direção a um palestiniano de 23 anos que se ajoelhava em oração à beira da estrada. Depois de atropelar o homem, o colono gritou algo na sua direção e recuou, depois gesticulou para que ele se afastasse. O colono então deu a volta com o seu veículo, desceu e gritou algo para um taxista palestiniano. O palestiniano ferido levantou-se e aproximou-se do táxi. O colono novamente afugentou-o antes de voltar para o veículo e acelerar. Majdi Abu Mokho, pai do palestiniano, disse que o seu filho agora sente dores nas duas pernas depois de ter sido atingido. Mokho disse à Agence France-Presse: «O agressor é um colono conhecido. Ele montou um posto avançado perto da aldeia e, com outros colonos, vem pastar o seu gado, bloqueia a estrada e provoca os residentes.» Ele também disse que o colono o cegou com spray de pimenta depois de bater no seu filho, embora isso não apareça no vídeo. Fonte.
- Israel arrancou e destruiu mais de 8.000 árvores, a maioria oliveiras, na Cisjordânia em apenas uma semana. Fonte.
- O Departamento de Justiça norte-americano considera que filmar operações da polícia de imigração é «terrorismo doméstico». Fonte.
- A Terra da Liberdade agora é o destino dos pesadelos para os turistas norte-americanos. Andrew Gardiner, MWM.
- “Benjamin Netanyahu reune-se esta segunda-feira, 29 de dezembro, com o presidente Trump. Esta será a quinta reunião dos dois nos EUA este ano, mas é claro que seria antissemita sugerir que há algo de estranho no facto de o presidente dos EUA se reunir com o primeiro-ministro israelita com mais frequência do que com qualquer outro líder estrangeiro do planeta. A NBC informa que Netanyahu deverá discutir mais ataques ao Irão durante a visita, citando preocupações com «os esforços do Irão para reconstruir instalações onde produzem mísseis balísticos e reparar os seus sistemas de defesa aérea danificados». Isto é absurdo. Eles pararam de inventar tretas sobre armas nucleares e agora estão apenas a dizer: «Precisamos de atacar o Irão porque o Irão está reconstruindo a sua capacidade de nos impedir de atacá-lo».” Caitlin Johnstone, Substack.
- EUA lançam ataques de Natal na Nigéria — o nono país bombardeado por Trump. Fonte.
- A Rússia concede à Turquia 9 mil milhões de dólares para financiar a primeira central nuclear turca. Fonte.
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