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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

LEITURAS MARGINAIS

ISRAEL ALEGA FALSAMENTE QUE PALESTINIANOS DESMANCHARAM UMA BALEIA ENCALHADA
Caitlin Johnstone, Substack. Trad. O’Lima.



Num dos atos mais bizarros de propaganda genocida que vimos nos últimos dois anos, a conta oficial do Twitter do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel fez uma publicação difamando civis desesperados e famintos como selvagens cruéis, usando a falsa alegação de que eles «desmancharam» uma «baleia» que encalhara na praia.

«Os habitantes de Gaza desmancharam uma baleia encalhada na praia. Esta é uma crueldade que não conhece limites. Mas não ouvimos nada sobre isso da Greta PR Thunberg», tuitou o ministério, acompanhado de imagens de pessoas usando cordas para mover o corpo de uma criatura marinha na praia. (…)

Uma observação rápida mostra que o animal no vídeo não é uma «baleia», mas sim um tubarão-baleia, facilmente reconhecível pelas manchas e saliências distintas nas costas, que nenhuma espécie de baleia possui. Os tubarões-baleia não são um tipo de baleia, mas sim a maior espécie de peixe do mundo, assim chamada apenas devido ao seu tamanho imenso.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel alegou falsamente que o animal era uma «baleia» porque «civis famintos comem peixe» não é uma boa propaganda se quisermos retratá-los como bárbaros repugnantes.

As baleias, ao contrário dos peixes, podem sobreviver horas ou até dias se ficarem encalhadas em terra, porque respiram ar. A publicação foi elaborada para transmitir a imagem de um bando de sub-humanos incivilizados a desmanchar um mamífero sensível enquanto ainda vivo, a fim de tocar o coração dos ambientalistas ocidentais.

Não existe peixe «encalhado»; há peixes na água e peixes mortos. O tubarão-baleia no vídeo estava morto, e provavelmente já estava morto há algum tempo.

Sejamos claros. O governo israelita não identificou inocentemente uma espécie de peixe como uma baleia. A imprensa israelita já tinha noticiado que um tubarão-baleia tinha sido abatido para servir de alimento nas costas de Gaza, depois de ter noticiado avistamentos do animal ao largo da costa de Israel semanas antes.

Sabiam que era um tubarão morto e tomaram a decisão fria e calculada de espalhar a mentira de que uma baleia tinha encalhado em Gaza e encontrado um fim agonizante nas mãos dos habitantes locais.

De certa forma, trata-se de uma distinção sem diferença, porque só um monstro criticaria civis famintos por alimentarem os seus filhos com carne de baleia em tempos de desespero. Há um consenso esmagador e consistente entre os grupos de ajuda humanitária de que o povo de Gaza está a ser submetido à fome por Israel.

Mas o facto de eles se darem ao trabalho de mentir sobre tal coisa para fazer os palestinianos parecerem vermes depravados ilustra realmente a intensidade odiosa com que Israel quer exterminar esse povo.

Pense nisso. Em primeiro lugar, à primeira vista, o governo israelita está a sugerir que as vidas dos palestinianos valem menos do que a vida de uma única baleia. Só esse facto, por si só, mostra o quão baixo os israelitas classificam o valor da vida palestiniana na grande ordem das coisas.

Então, tiveram de israelizar ainda mais a sua posição, mentindo sobre o assunto e alegando falsamente que uma baleia encalhada foi desmanchada por sádicos primitivos que, em vez disso, deveriam ter ajudado o animal a regressar ao mar. Um animal que eles sabiam estar morto.

Depois, israelizaram ainda mais a situação, acrescentando a sua obsessão bizarra pela ativista Greta Thunberg, que recentemente confirmou relatos anteriores de que foi torturada e humilhada sexualmente pelas forças israelitas após ter sido raptada por tentar levar ajuda a Gaza.

Depois, acrescentaram hipocrisia, acusando os palestinianos de «crueldade sem limites», depois de passarem dois anos a infligir sofrimento incompreensível àquela população, à vista de todo o mundo.

Imagine sobreviver a dois anos de atrocidades genocidas, passar fome, ver os seus filhos passarem fome, ficar cada vez mais faminto e desesperado, e então aparecer esse peixe gigante que poderia alimentar muitas famílias. Seria como um presente de Deus. Imagine a alegria que sentiria.

E então imagine descobrir que os seus algozes encontraram uma maneira de transformar até mesmo esse momento milagroso e revigorante de alívio em algo cruel e bárbaro.

Os propagandistas israelitas terão visto videos partilhados por palestinianos a celebrar a sua alegria pelo tubarão-baleia e reconhecido que, se as imagens não fossem cuidadosamente manipuladas de forma astuta, poderiam realmente trazer esperança ao povo de Gaza e aos seus apoiantes. Por isso, fizeram o seu melhor para lançar uma grande e fumegante porcaria sobre isso, a fim de matar essas esperanças.

Israel fez tantas coisas incrivelmente más aos palestinianos que quase parece irrelevante salientar este ato de propaganda nas redes sociais. Mas espero que este fique na minha memória, apenas pelo quanto diz sobre Israel e os seus abusos.

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