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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

LEITURAS MARGINAIS

O PRÉMIO NOBEL VAI PARA... A GUERRA CONTRA A VENEZUELA
Max Blumenthal, The Grayzone/Substack. Trad. O’Lima.



O Comité Nobel decidiu defender a guerra de Trump contra a Venezuela, atribuindo o seu «Prémio da Paz» a Maria Corina Machado, uma ativista financiada pelo governo dos EUA que promove a mudança de regime, ajudou a liderar vários golpes de Estado fracassados, violentos motins de rua que deixaram dezenas de mortos, e parece ter prometido as riquezas petrolíferas e minerais do seu país a um consórcio de bilionários alinhados com o MAGA em troca do financiamento da sua campanha de incêndio político.

Aclamada pelo Comité Nobel por supostamente tentar alcançar «uma transição pacífica» no seu país, Machado apelou pessoalmente ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu para liderar uma invasão militar à Venezuela.


Um ano depois de pedir que Israel destruísse o seu país, ela emitiu uma proclamação exigindo que os EUA lançassem uma guerra de mudança de regime ao estilo da Líbia contra a Venezuela.

Machado é uma marionete de Marco Rubio, uma criação do Complexo Industrial Gusano, patrocinado pela CIA, que trouxe terror violento e cerco a qualquer país latino-americano que desafiasse o Consenso de Washington de privatização e austeridade, e uma aspirante a Pinochet de saia que eliminaria violentamente qualquer manifestação do chavismo se, de alguma forma, assumisse o Palácio de Miraflores.

Machado passou anos a fazer lóbi para que os EUA e a UE impusessem sanções de fome ao seu próprio país, resultando em ondas de migração para os EUA, alimentando o ressentimento nativista que deu origem a Trump. Quando Trump enviou migrantes venezuelanos para um campo de tortura em El Salvador este ano [2025], Machado, como era de se esperar, ficou do lado de Trump, o atual patrocinador da sua carreira golpista, em vez de ficar do lado dos seus compatriotas.

Conceder o Prémio Nobel a Machado dá luz verde à guerra de mudança de regime de Trump contra a Venezuela. Mas a decisão é consistente com o papel do Comité como instrumento de soft power do império ocidental. Basta lembrar o prémio concedido a Obama no início do seu primeiro mandato, garantindo-lhe legitimidade infinita antes da destruição da Líbia, da escalada das guerras no Iraque e no Afeganistão e da facilitação da dizimação de Gaza.

Dado que nada aconteceu na carreira de Machado sem o apoio e a orientação de Washington, a decisão do Comité Nobel deve ser vista como o resultado de mais uma operação ocidental – um golpe em Oslo para preparar o caminho para outro em Caracas.

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