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terça-feira, 22 de abril de 2025

LÁGRIMAS DE CROCODILO DA RAINHA DO EUCALIPTO


Assunção Cristas foi içada à SIC para elogiar o Papa Francisco pela sua preocupação ambiental. Mas que não se iludam os órgãos de manipulação: o Ambiente Ondas3 tem memória longa e sabe separar o trigo do joio — distinguindo com clareza a honestidade do cinismo e da hipocrisia.

E, para que não haja esquecimento, recorde-se que, em outubro de 2011, Assunção Cristas, então ministra do Ambiente e da Agricultura, autorizou o abate de mais de mil sobreiros no Tua — decisão tomada com base em informações erradas, cuja origem se recusou a divulgar. Na altura, em entrevista a Manuela Moura Guedes para o Correio da Manhã, Cristas limitou-se a dizer que "tinha muita pena", mas que tinha de respeitar compromissos assumidos", sob pena de o Estado ser penalizado. Convenientemente, também afirmou desconhecer que a sociedade de advogados onde trabalhara — Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados — tinha como cliente a EDP, concessionária da barragem do Tua.

Em novembro de 2012, a LPN, a Quercus, o GEOTA e a FAPAS abandonaram em bloco a Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional (REN), onde representavam a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente. A decisão foi tomada após Assunção Cristas anunciar publicamente a intenção de eliminar a REN – uma medida que, segundo as ONGs, representava um erro gravíssimo. Na altura, as organizações ambientalistas alertaram quea extinção da REN deixaria municípios e tutelas com as mãos livres para fomentar a expansão urbanística descontrolada, alimentar a especulação imobiliária e acelerar o caos territorial. Recusaram, assim, compactuar com uma política que sacrificava o interesse ambiental em nome de uma falsa flexibilização.

Em fevereiro de 2013, Assunção Cristas protagonizou mais um capítulo da sua contraditória gestão ambiental ao admitir a possibilidade de incentivar o cultivo de eucaliptos em áreas de regadio público abandonadas - uma medida que especialistas alertavam poder agravar o risco de incêndios e a desertificação dos solos.

A ironia tornou-se trágica quando, em outubro de 2017, a mesma Cristas acusou o Estado pelas mortes nos incêndios de Pedrógão Grande - calamidade que, não por acaso, resultava em grande parte das políticas de desregulação florestal que ela própria havia defendido.

Como bem observou Carlos Matos Gomes, ‘Para Assunção Cristas os princípios ideológicos podem ser tocados num acordeão, esticam e encolhem à vontade do tocador e a pedido do público presente na romaria.’

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