- A Tesla enviou cartas aos trabalhadores que se encontram de baixa por doença, anunciando a suspensão dos seus salários, ameaçando exigir o reembolso dos montantes já pagos e questionando as motivações dos médicos para concederem as baixas por doença. A empresa duvida da veracidade dos atestados médicos, insta os seus trabalhadores a revelarem o diagnóstico e a desobrigarem os médicos assistentes do seu dever de sigilo profissional. Os inspetores da empresa chegaram mesmo a visitar os trabalhadores nas suas casas sem aviso prévio. O sindicato IG Metall afirma que, para além das ameaças de confisco, a Tesla está a encorajar os trabalhadores a assinarem o despedimento voluntário sem lhes dar uma data de expiração. O aumento da exploração do trabalho e a intensificação dos ritmos de trabalho na gigantesca fábrica de Berlim fizeram subir o absentismo para 17%. A fábrica da Tesla a sul de Berlim emprega mais de 11.000 trabalhadores, que têm de recorrer à proteção sindical 21 vezes mais do que a média dos trabalhadores alemães de outras empresas. Fonte.
Foto: Anadolu/Getty Images
- “Portugal é, há muito, um terreno fértil para o florescimento de valdevinos. Não nos enganemos com a suavidade do termo: valdevinos são, na substância, os artífices das pequenas e grandes vigarices da nossa vida pública, indivíduos que fazem da arte de iludir e beneficiar-se do erário público um modo de vida respeitável — ou, pelo menos, tolerado. Mas o caso de Luís Montenegro eleva esta triste linhagem a um novo patamar, um grau superior de desfaçatez e de desprezo pela ética republicana e democrática. Aquilo que agora sabemos – e já não se pode negar – é que o ainda primeiro-ministro criou, em 2020, uma empresa de consultoria, a Spinumviva, sem rosto nem corpo, sem escritório conhecido (a sede era na casa de Montenegro), sem uma página electrónica onde se pudesse ler sequer uma linha da missão ou qualquer descrição de serviços para angariação de clientes. Não há registo de empregados, nem de qualquer estrutura que mereça o nome de empresa. No entanto, esta ‘entidade-fantasma’ faturou mais de 650 mil euros em dois anos e margens operacionais absurdamente elevadas, como o PÁGINA UM revelou em primeira mão em 16 de Fevereiro, antes da outra imprensa. Continuou a faturar mesmo após Montenegro assumir a liderança do Governo. E só após semanas de hesitações, meias verdades e omissões é que se ficou a saber quem eram os seus clientes, por revelações da imprensa: entre outros, empresas como a Solverde e a Rádio Popular, cuja dimensão dispensa apresentações, mas cuja real necessidade de serviços de “consultoria” de Montenegro permanece uma incógnita para qualquer espírito minimamente exigente. (…) Um homem que, de forma obscura e opaca, com as suas responsabilidade, cria e depois mantém uma empresa familiar sem qualquer lastro, apenas para receber avenças por serviços que ninguém consegue explicar ou justificar, não pode ser primeiro-ministro de um país que se pretenda civilizado e europeu. (…) No seio do próprio PSD, não houve uma única voz de peso que se erguesse para contestar a manutenção de Montenegro na liderança. (…) O silêncio cúmplice do partido e o amolecimento da opinião pública revelam que, no Portugal de hoje, o padrão de exigência ética dos eleitores e dos eleitos atingiu um dos seus pontos mais baixos. De resto, a forma como a imprensa dominante tem abordado o caso – ora relativizando, ora desviando o foco para outros temas -, e como as sondagens continuam a projetar Montenegro como potencial vencedor, deveria preocupar qualquer cidadão que se preze. Não há um sobressalto cívico. Não há uma indignação genuína. A banalização da promiscuidade entre política e negócios atingiu tal ponto que um primeiro-ministro apanhado em esquemas obscuros de avenças familiares não só se mantém em funções, como ainda é visto como vencedor provável das próximas eleições. Se Montenegro vencer as eleições de Maio, será uma vitória dos valdevinos. Será a consagração pública de um modelo de fazer política que permitirá aos governantes criar empresas de fachada para canalizar rendas, disfarçar negócios e beneficiar de ligações de bastidores sem qualquer escrutínio efetivo. Será um salvo-conduto para que, no futuro, qualquer político possa fazer o mesmo, escondendo os clientes, omitindo os fluxos financeiros, e depois, apanhado em flagrante, alegar que está tudo bem. A democracia portuguesa está a ser reduzida a uma Economia de Estado onde se alimentam empresas, empresários e políticos que se confundem entre si. O Estado, com as autarquias, continuam a ser o maior motor da Economia nacional – pelo menos para uma franja empresarial relevante –, mas quando se analisam os contratos públicos, os ajustes diretos e os espetáculos efémeros de que se enche o calendário, torna-se evidente que se pratica cada vez mais um jogo de pão e circo — expressão que, segundo os manuais de História, provém da Roma decadente e corrupta dos imperadores que compravam o apoio do povo com grão e divertimentos. (…) Num tempo em que, com meio século de democracia, a dar sinais de doença, se exigiria cada vez mais rigor, transparência e ética na governação, Portugal arrisca-se a ser olhado como um país que não aprendeu as lições básicas. Se Montenegro permanecer no poder, não será por mérito seu, mas pelo colapso moral de uma sociedade que se habituou a tolerar tudo. E um povo que tolera tudo, arrisca-se a perder tudo – inclusive a dignidade.” Pedro Almeida Vieira, Montenegro, ou a vitória dos valdevinos - P1.
- “(…) O sistema da denúncia não é uma arma dos trabalhadores para obterem justiça, é uma arma de chantagem na mão dos diretores. Assédio, moral ou sexual, corrupção, toda a denúncia vai ter o destino que o gestor e director quiser dar. Nos EUA as Faculdades usam-na para despedir professores – dos acusados de racismo, homofobia a anti-semitas há de tudo na caixinha das denuncias. Saberão que os hospitais, universidades, escolas, serviços públicos em Portugal já estão entupidos de denúncias? E que essas caixinhas são usadas para perseguir quem se opõe aos directores dessas instituições? Não servem, nem servirão, para colmatar injustiças. Se o director não gosta do denunciador vai atrás dele por calúnia, se não gosta do denunciado vai atrás dele com a queixa, se quer exercer poder (cortar salário, aumentar o horário) vai fazer com quem todos saibam, nos corredores, da denúncia que tem em mãos, para que todos, denunciados ou não tenham medo de um dia virem também a ser denunciados. Armas dos trabalhadores são os plenários, de trabalhadores. Plenários de base, cara a cara, se for preciso longe dos locais de trabalho, para não serem vigiados e poderem falar livremente. Conversa, aberta, e luta organizada, decidida depois de conversa face a face, dando a cara. Sem directores intermédios ou de topo presentes. Não somos todos trabalhadores, há uma fracção que se tornou em chefias intermédias, e que manda nos outros, tem que se distinguir nos locais de trabalho quem são os mandantes, vulgo capatazes, das hierarquias, e fazer reuniões sem a presença dessas hierarquias intermédias (ainda que formalmente sejam trabalhadores, são parte da gestão, são cúmplices das tétricas formas de gestão pelo medo que levam à ausência de cooperação, desmotivação, Burnout, depressão). (…) A denúncia é também o recurso dos cobardes, que querem safar-se sozinhos, na competição, fazendo favores ao gestor (muitas vezes é ele, o director, que estimula a denúncia oferecendo ao bufo um prémio, um Muito Bom na avaliação, uma bolsa, uma abertura de lugar). Existe na nossa lei a figura da queixa, não anónima, existem leis de trabalho, nada disso funciona ou funciona mal, mas existem. Não nos falta quadro legal, nem na UE, o que há é cada vez mais emprego precário, automação e desigualdade e a UE quer impor, e Costa fez o favor, mais medo para evitar que as pessoas se organizem. Esta lei – da caixinha de denúncias (que por evidência vou chamar caixa de bufaria) é uma criação da UE para aumentar o medo nos locais de trabalho. Que Costa tenha-a introduzido em Portugal, transpondo uma directiva, que sequer estava obrigado a fazer e na qual não votámos, diz o estado a que chegou o PS. Mas, até hoje, que saiba, nenhum Partido se pronunciou sobre este mecanismo totalitário que agora é lei – neste país que durante a ditadura teve dezenas de milhares de informadores anónimos. Mas que, recordemos, um dia também caem e, no caso, muitos dos informadores (denunciantes) tiveram que em 74-75 fugir do país e ficaram sós, porque tudo muda, essa é a única lei da história humana, tudo cambia – e muda para a UE, para Costa e para todos os bufos, um dia tudo tem um fim. Porque quando chegou ao fim da ditadura em 74 todo o país, em cada rua e bairro e local de trabalho tinha a “caixinha dos bufos”, ostracizados e conhecidos em todo o lado.” Raquel Varela, A caixinha dos bufos.
- O Japão está a abandonar os títulos do Tesouro dos EUA para investir em títulos chineses. Este movimento parece ser uma reação direta às tarifas impostas pelo regime de Trump e pode marcar um ponto de viragem no equilíbrio monetário global. Fonte.
- A aprovação da regulamentação sobre a utilização de sistemas de inteligência artificial pela União Europeia incluiu a introdução de exceções, com o apoio de Portugal, no uso desta tecnologia por parte das forças de segurança. Contudo, há quem alerte para os riscos da falta de controlo e para os perigos que pode significar para a liberdade dos cidadãos. Passa a ser possível usar a IA para seguir pessoas no espaço público e vigiar refugiados nas fronteiras, assim como fazer reconhecimento através das suas opções políticas e religiosas, com recurso a esta tecnologia. Fonte.
- Os países bálticos e a Polónia anunciaram a saída do Acordo de Otava que proíbe a utilização de minas anti-pessoais. Esta é uma decisão muito grave. Fui testemunha, enquanto jornalista, da utilização pela Ucrânia de todo o tipo de minas anti-pessoais proibidas. Com outro jornalista, chegámos a ter de fazer um torniquete para salvar a vida de uma idosa em Mariupol que tinha acabado de pisar uma dessas minas. Conheci muitos civis no Hospital de Traumatologia de Donetsk sem pés e sem pernas devido ao lançamento de minas pétala (as célebres minas soviéticas PFM-1). Foi o caso de Liudmila Foshneva, de 70 anos, que perdeu a perna quando cuidava da sua horta num bairro da capital da República Popular de Donetsk. Bruno de Carvalho.
- O negócio privado na saúde, como qualquer negócio, tem um objetivo: o lucro. João Ferreira (PCP) desconstrói as PPPs no SNS no Canal Now.
- A polícia turca fez uma rusga à casa do presidente da Câmara de Istambul, Ekrem İmamoğlu, detendo-o por causa de uma investigação de corrupção, numa ação denunciada pelo Partido Republicano do Povo, principal partido da oposição, como um "golpe". Fonte.



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