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quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

REFLEXÃO: BLOCOS DE CÂNHAMO COM VANTAGENS NO ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO

O israelita Elad Kaspin e o palestiniano Khalid Mansour são os dois principais alicerces de um novo negócio que, a partir do Baixo Alentejo, e desde 2020, explora o potencial do cânhamo cultivado para fins industriais como matéria-prima de blocos, alternativos aos vulgares tijolos, com vantagens já estudadas em termos de isolamento térmico e acústico e no ambiente interior das habitações.

Com um crescimento rápido e uma capacidade de absorção de carbono e de melhoramento dos solos já reconhecida cientificamente, o cânhamo pode ajudar a baixar drasticamente as emissões, ao ser usado para “produzir” algo que melhora o comportamento térmico e acústico do edificado. Isto além de outros benefícios, na qualidade do ar interior e na regulação da humidade, apontados por estudos científicos.

O sistema produtivo do “betão” LHC (light hemp concrete), que inclui a mistura com um ligante à base de cal hidráulica natural, e prensagem e secagem sem recurso a fontes artificiais de calor, garante um processo quase neutro em emissões. Processo esse que se torna negativo, pois, nota a Comissão Europeia, “um hectare cultivado com cânhamo armazena entre 9 e 15 toneladas de CO2”

A fábrica-piloto, instalada em Colos, Odemira, começou em Novembro de 2021 a fabricar os primeiros blocos, que já foram usados em mais de 40 construções. Dezenas de outras aguardam licenciamento e a empresa está a participar, com o seu material e conhecimento, em concursos para a construção de habitações a custos controlados, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.

Pela sua menor condutividade térmica e grande absorção acústica, os blocos estão a ser usados em paredes simples (em vez de parede dupla com isolamento), o que permite poupanças quer no tempo, quer nos custos de construção.

Com um investimento de 15 milhões de euros suportado, em parte, por fundos do Portugal 2030, e com apoio do município de Ourique, que lhes cedeu o terreno, a Cânhamor vai mudar-se para Garvão. Com ela, os seus responsáveis esperam passar de 13 para 30 funcionários e impulsionar a produção de blocos a partir de cânhamo cultivado na região. Neste momento, mesmo tendo já testado o cultivo em 20 hectares, a empresa depende essencialmente de palha importada de França – o maior produtor europeu de Cannabis sativa.

Refira-se que, em Portugal, o cânhamo já foi usado, durante séculos, para produzir cordas e cabos de navegação, mas é hoje uma cultura relativamente esquecida no país.

Abel Coentrão, Público.

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