«Os mercados de carbono assemelham-se às indulgências da igreja medieval: causam mais danos do que benefícios.(…)
Sarah Murray, no Financial Times, explica o que foram as indulgências, bençãos e graças concedidas pela igreja católica na Idade Média em troca de doações – algo como “comprar uma escada para os céus”. Por analogia, as grandes empresas poluidoras comprariam offsets e limpariam sua alma e seus inventários da crise climática que provocam.
Moira Birss, da Amazon Watch, escreveu no LinkedIn que esses mercados geram impactos bem mais negativos do que os poucos benefícios que oferecem. Ela também fala dos grandes emissores escondendo-se atrás de créditos de carbono ao invés de tomarem ações decisivas para controlar o aquecimento global. A crítica mais contundente é que o dinheiro da venda destes créditos acaba na mão do sistema financeiro sem trazer qualquer benefício às populações dos locais onde os projetos de carbono acontecem. Pior, a história de vários projetos florestais apontam no sentido contrário, de que essas populações são ainda mais prejudicadas pela implantação desses projetos.
Como se não bastasse, a Bloomberg fala de empresas e plataformas que estão fechando o maior número possível de contratos de carbono antes que possíveis regulações apareçam ainda este ano. É possível que a Conferência do Clima em Glasgow avance nas regras dos mercados regulados de carbono. E uma das principais recomendações da TSVCM foi a de criar uma governança para supervisionar os mercados voluntários, classificando os créditos de carbono segundo sua credibilidade e integridade. O resultado dessa pressa, claro, irá gerar créditos de carbono de qualidade duvidosa, o que comprometerá ainda mais a credibilidade dos mercados.
Fonte: ClimaInfo.

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