Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

domingo, 4 de abril de 2021

Reflexão - Que tal uma taxa progressiva para os que viajam muito de avião?

Os que viajam frequentemente de avião são os que têm rendimentos mais elevados. Segundo um estudo publicado pela ONG britânica Possible, isto significa que as pessoas mais ricas são desproporcionadamente responsáveis pelas emissões causadas pela aviação.

O estudo, Elite Status: Global Inequalities in Flying, concluiu que nos Estados Unidos, apenas 12% das pessoas fazem 66% de todos os voos; em França, 2% das pessoas fazem metade de todos os voos; na China, 5% ocupam 40% dos voos do país; na Índia, apenas 1% realiza 45% dos voos. No contexto de Espanha, o estudo confirma que são também as pessoas mais ricas que tomam mais aviões, uma vez que viajam mais por ano em férias - até quatro vezes por ano. Esta tendência repete-se em países como o Canadá, nos Países Baixos e no Reino Unido, onde apenas 15% da população efectua 70% de todos os voos.

Em novembro passado, um estudo publicado na revista Global Environmental Change já apontava que apenas 1% da população mundial era responsável em 2018 por metade das emissões de gases com efeito de estufa provenientes da aviação. Segundo a mesma investigação, as companhias aéreas emitiram nesse ano mil milhões de toneladas de CO2 e beneficiaram de um subsídio de 84 mil milhões de euros por não pagarem pelos danos climáticos que causaram.

Por isso, a ONG Possible sugere uma acção urgente sobre o assunto. No caso da aviação, propõe a introdução de uma taxa para os passageiros frequentes: "Uma taxa progressiva que aumente à medida que alguém faz mais voos ou percorra maiores distâncias em cada ano", explica no seu estudo. "Isto significa que as pessoas que poupam para umas férias anuais ou para visitar a família não serão injustamente afetadas, mas a maioria que voa várias vezes por ano pagará mais. Isto permitir-nos-á enfrentar as alterações climáticas de uma forma justa", acrescenta.

Alba Mareca, Climatica.

Sem comentários: