Os que viajam frequentemente de avião são os que têm
rendimentos mais elevados. Segundo um estudo publicado pela ONG britânica
Possible, isto significa que as pessoas mais ricas são desproporcionadamente
responsáveis pelas emissões causadas pela aviação.
O estudo, Elite Status: Global Inequalities in Flying, concluiu que nos Estados Unidos, apenas 12% das pessoas fazem 66% de todos os voos; em França, 2% das pessoas fazem metade de todos os voos; na China, 5% ocupam 40% dos voos do país; na Índia, apenas 1% realiza 45% dos voos. No contexto de Espanha, o estudo confirma que são também as pessoas mais ricas que tomam mais aviões, uma vez que viajam mais por ano em férias - até quatro vezes por ano. Esta tendência repete-se em países como o Canadá, nos Países Baixos e no Reino Unido, onde apenas 15% da população efectua 70% de todos os voos.
Em novembro passado, um estudo publicado na revista
Global Environmental Change já apontava que apenas 1% da população mundial era
responsável em 2018 por metade das emissões de gases com efeito de estufa
provenientes da aviação. Segundo a mesma investigação, as companhias aéreas
emitiram nesse ano mil milhões de toneladas de CO2 e beneficiaram de um
subsídio de 84 mil milhões de euros por não pagarem pelos danos climáticos que
causaram.
Por isso, a ONG Possible sugere uma acção urgente sobre o
assunto. No caso da aviação, propõe a introdução de uma taxa para os
passageiros frequentes: "Uma taxa progressiva que aumente à medida que
alguém faz mais voos ou percorra maiores distâncias em cada ano", explica
no seu estudo. "Isto significa que as pessoas que poupam para umas férias
anuais ou para visitar a família não serão injustamente afetadas, mas a maioria
que voa várias vezes por ano pagará mais. Isto permitir-nos-á enfrentar as
alterações climáticas de uma forma justa", acrescenta.

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