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segunda-feira, 22 de março de 2021

Bico calado

  • «(…) Sou um dos que se sentem profundamente ofendidos com a atual proliferação de bandeirinhas na política. Sim, eu sei que é a nossa bandeira nacional, embora isso pressuponha que a identidade desta nação já esteja consolidado, mas não está. Essa identidade agora é vista por muitos como opressiva. Dentro deste sentimento de opressão está uma profunda inquietação sobre o que temos sido como nação, e um sentimento de remorso e pesar sobre os abusos do passado, que não podem nem devem ser negados, mas aos quais o uso da bandeira como gesto político parece uma afronta. Há, também, uma profunda inquietação sobre o estado atual da nossa nação, mesmo que seja de identidade consensual, perdida e à deriva como está depois do Brexit, projetando um status fingido para o mundo pós Brexit, embora aparentemente incapaz de compreender, e muito menos cumprir com as obrigações legais que assumiu. A bandeira, nesse caso, parece uma imagem de agressão. Talvez seja um problema de idade, mas sinto bem dentro de mim uma desconfiança em relação aos políticos que usam a sua bandeira nacional como um símbolo. Há na mensagem que procuram projetar a implicação de que só eles são a escolha patriótica de uma nação, e que escolher outro político será um ato de traição. A sugestão é de que só pode haver realmente uma escolha. A mensagem implícita é que a democracia, ao oferecer a opção de uma alternativa, não é aceitável. (…) E essa negação de escolha aconteceu durante a vida dos meus pais, e também na minha. Espanha e Portugal eram ditaduras fascistas quando eu era adolescente. Os coronéis governaram a Grécia durante a minha vida. E havia a opressão da era soviética dentro da própria Rússia e na Europa Oriental e noutros estados satélites. A mensagem que recebo da atual onda de exibição de bandeiras é fraturante. É a de que este país não está unido, mas profundamente dividido. E é a de que aqueles que semearam esta divisão têm a intenção de a manter, alegando que a identidade deles é a única com a qual temos que nos associar. (…) A democracia depende da tolerância do direito dos outros de governar. Este acenar de bandeira é um claro indício de intolerância para com essa ideia. Nesse caso, a minha ofensa não é só estética. Em vez disso, baseia-se num profundo sentimento de inquietação de que a tolerância do "outro" esteja a acabar neste país. A minha sensação de perda é real. O meu pressentimento é maior. Eu estou preocupado. Está na hora de nos livrarmos das bandeiras antes que isto acabe em lágrimas, ou pior.» Richard Murphy, Tax Research UK.
  • O rei palhaço: como Boris Johnson conseguiu ao fazer-se de tolo. Edward Docx,  Mande-se os palhaços quando algo corre mal e é preciso distrair a plateiaThe Guardian.
  • O deputado conservador Sir John Hayes pediu que um relatório sobre as ligações históricas de Lincolnshire ao comércio de escravos fosse triturado, descrevendo a pesquisa como inútil e criticando ter-se gasto 15.000 libras do dinheiro dos contribuintes. Historic England disse que o objetivo era "reter e explicar o nosso património". BBC.
  • «O governo pediu emprestado £19,1 mil milhões em fevereiro, o valor mais alto para aquele mês desde que os registos começaram em 1993. BBC.
  • Uma nova "Ranger Force" de elite de vários milhões de libras ao estilo SAS acaba de ser criada no Reino Unido. Os militares destas forças de intervenção serão destacados para ambientes de alto risco em todo o mundo. O objetivo é exercer influência em cenários estrangeiros ao estilo da Guerra Fria. Chris Hughes, Daily Mirror.

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