- «(…) o entrevistador não declara que foi o Governo que proibiu o 13 de maio, mas faz a acusação subliminar; passando por cima do facto sobejamente conhecido (e divulgado como notícia a 6 de abril pela agência Lusa, pelo que a SIC e RGC não podem alegar desconhecimento, que a iniciativa de manter o recinto sem peregrinos partiu da própria igreja e a decisão antecede em semanas a polémica sobre o 1º de Maio). Ou seja: o entrevistador confronta a ministra com uma mentira escudando-se num auto-atribuído deve de "elucidar" "as pessoas" que ele "representa" e que quereriam saber se ela é a favor ou contra a proibição. O seu papel, se RGC o levasse a sério, seria ignorar uma mentira e poupar o precioso tempo de antena para as questões verdadeiras (que não colocou). Um jornalista teria elucidado ou recordado as pessoas antes, dizendo-lhes a verdade sobre o 13 de maio em Fátima, em vez de servir de porta-microfone de boatos e distorções. (…)» Paulo Querido, FB.
- «O Tribunal de Contas de Espanha debruçou-se, pela primeira vez, sobre as contas da Igreja Católica espanhola. (…) Uma das primeiras conclusões do relatório preliminar, divulgado em fevereiro na imprensa, é de que a Igreja Católica é pouco transparente na justificação do destino que dá a esse dinheiro (…) Outra é de que a Igreja Católica apresentou naquele ano um superavit – ou seja, um lucro – de 15,9 milhões de euros. (…) Tudo isto é, para qualquer português minimamente informado, caso para ficar de queixo caído. Não pelas revelações – temos o caso da Cáritas, com milhões no banco enquanto se queixava de falta de dinheiro para ajudar os pobres em plena crise da troika, e de misericórdias investigadas por pagamentos “debaixo da mesa” de milhares de euros para aceitar idosos em lares e “sacos azuis” assumidos como forma de esconder a riqueza do Estado e poder continuar a pedir-lhe dinheiro – mas pelo extraordinário que é um Tribunal de Contas analisar contas da Igreja Católica. O simples facto de haver contas apresentadas é um maravilhamento: ao contrário do que se passa em Espanha desde 1980, a Igreja Católica portuguesa não está obrigada a qualquer relatório de contas. Se o Tribunal de Contas espanhol se queixa de opacidade, que dirão os portugueses? (…) não vislumbro como é que a Igreja Católica portuguesa, cujas contas ninguém conhece e faz parte de um conglomerado internacional riquíssimo governado pelo Vaticano, para o qual, como é uso nas multinacionais, remete parte dos seus proventos, pode alegar risco de falência ou de despedimento de sacerdotes. Não podendo invocar nenhuma dessas coisas, que legitimidade tem para pedir à Segurança Social, sem mãos a medir perante a crise que atravessamos, que a ajude? (…) Devemos, pois, concluir, pelas informações prestadas, que o “prejuízo” causado à Igreja Católica advém da falta de esmolas – as esmolas, ficamos a saber, que considera “receitas”. E que numa situação de crise, ao invés de se disponibilizar para servir, recorrendo às suas reservas, Igreja Católica procura servir-se. (…) A única coisa que importa mesmo é saber se o governo vai ceder, aceitando financiar de mais esta forma uma organização que se esmera em fugir a todas as contribuições e se furta a qualquer sindicância, tendo ainda por cima a suprema lata de querer apresentar-se como a grande provedora dos pobres.» Fernanda Câncio, in DN 2mai2020.
- Implantada no Bailick Park, Midleton, Cork, Irlanda, esta escultura lembra a ajuda dada pela Nação Chocktaw em 1847, durante a Grande Fome, apesar de os próprios Choctaw viverem em dificuldades e pobreza. A escultura consiste em penas de águia de aço inoxidável de 6,1 m dispostas em círculo, sendo as penas todas diferentes, em forma de tigela para representar o presente de uma tigela de comida. Foi criada por Alex Pentek na Sculpture Factory em Cork, Irlanda, com assistência de estudantes da Crawford College of Art and Design. O memorial foi inaugurado oficialmente em junho de 2017.
- «Estou confiante em que os Estados Unidos demonstrarão, mais uma vez, ser um dos principais motores da economia global e continuarão a ser líderes em inovação e produtividade. Assim, Portugal não terá melhor parceiro do que os Estados Unidos, à medida que navegarmos o futuro. Estou empenhado em arregaçar as mangas e trabalhar para ligar empresas portuguesas e americanas, encontrando novas oportunidades para aumentar o comércio, e acolhendo turistas e estudantes americanos Depois de passar muitas semanas numa casa com o nome do ex-embaixador dos EUA em Portugal, Frank Carlucci, lembro-me de que não é a primeira vez que Estados Unidos e Portugal enfrentam tempos difíceis.» George Glass, Embaixador dos EUA em Portugal, in Público 2mai2020.
- Estória de um golpe falhado na Venezuela. AP.
- «(…) já está em curso o mecanismo que o Governo de Berlim aproveitará para acentuar a sua vantagem, no contexto de endividamento que lhe é favorável. O árbitro deste processo é sofisticado. O jogo começa com a queda económica e, ao mesmo tempo, o disparar dos gastos com a doença e com os sistemas de proteção social, que geram défices elevados. Em consequência, os Estados emitem dívida. Péssima notícia para a Itália, ótima notícia para a Alemanha. A primeira fica obrigada a um juro que cresce (mais de 2%, a dez anos) e a última beneficia de um juro que desce (-0,4%); quanto pior é a crise do endividamento e maiores as incertezas, mais baixo o juro alemão, dado que a sua dívida é considerada um refúgio seguro. Ou seja, a pandemia é uma notícia para festejar: o mundo está a pagar para que o Governo de Berlim financie os seus gastos públicos. Mas ainda vamos na primeira parte do jogo. Como está auto-autorizado a fazer “ajudas de Estado” (que eram proibidas até agora, para obrigar as economias endividadas a privatizarem as grandes empresas públicas), o Governo de Merkel pode usar esse dinheiro que lhe é oferecido para reforçar, reconstituir ou recapitalizar as empresas nacionais que estejam em dificuldades. Ganha a todos, mesmo aos Estados Unidos. A Ford norte-americana, por exemplo, emitiu em abril oito mil milhões de dólares em obrigações com juros entre 8,5% e 9,6%. A dívida norte-americana a dez anos está 1% acima da da Alemanha. Ora, o Governo alemão, financiado a juro negativo, já despejou uma quantia semelhante à da aflição da Ford em três empresas: Adidas, a marca de equipamento desportivo, Tui, um operador turístico, e Lufthansa, a companhia aérea.» Francisco Louçã, in Expresso 1mai2020.
- Está provado que a bola é dispensável, não é essencial. Ninguém deu pela sua falta. Aliás nem sequer os profissionais da bola deram um ar da sua graça, por exemplo, fazendo como músicos e outros artistas, que prodigalizaram bons momentos ao vivo através das redes sociais e não só. Viram algum futebolista mostrar na sua casa alguma técnica simples para nós aprendermos um pouco ou nos entretermos?


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