- A «otimização» fiscal deslocalizada para os Países Baixos custou mais de 9 biliões de euros à União Europeia, estando a Espanha e a Itália entre os maiores perdedores na coleta de impostos às empresas. «A pandemia da Covid-19 expôs os graves custos da chamada “competição tributária” entre os países. Durante anos, a Holanda provocou uma corrida ao fundo da UE, entregando cada vez mais riqueza e poder às grandes multinacionais - e tirando isso aos enfermeiros e funcionários dos serviços públicos que hoje, na Europa, arriscam as suas vidas para proteger a nossa» diz Alex Cobham, da Tax Justice Network. «Agora, mais do que nunca, os países da UE devem trabalhar juntos para priorizar o bem-estar da sociedade em detrimento dos interesses das empresas mais ricas. A UE não pode reconstruir a sua economia sobre um alçapão de paraíso fiscal. Para impedir a perda de biliões de impostos para empresas que transferem lucros para paraísos fiscais como a Holanda, os governos da UE têm que mudar para uma abordagem tributária unitária que faça com que as empresas paguem impostos com base no local onde os seus funcionários trabalham de facto, e não onde os seus contabilistas ocultam os seus lucros . As receitas tributárias devem aparecer e ser aplicadas onde está a atividade real.»
- A elite dominante dos EUA adora esta crise por 4 motivos, diz Lee Camp na Consortium News. Primeiro, vai ser a principal beneficiária do bailout de 2 triliões de dólares. Segundo, porque vai poder produzir e poluir à vontade depois de se ter visto livre dos entraves legais herdados da administração Obama. Terceiro, o ministério da Justiça quer que o Congresso approve uma lei que permita um juiz suspender processos e julgamentos em caso de desastre natural, desobediência civil ou situação de emergência, o que poderá implicar manter um cidadão detido por tempo indeterminado e sem culpa formada. Quarto, retirou-se terras aos índios Mashpee de Rhode Island para fazer um frete aos amigos de Trump que querem fazer um casino ao lado. Finalmente, está aberto o campo para privatizar escolas, tal como aconteceu no rescaldo da destruição massiça provocada pelo furacão Katrina.
- Cidadãos americanos no Líbano recusam oferta de repatriamento, dizendo que estão mais seguros em Beirute, titula a CNN.
- No Equador, a empresa que normalmente fabrica caixas de papelão para exportar bananas Dole fabrica agora caixões de papelão para as vítimas da pandemia, conta o NYTimes.
- Está à procura de um modelo de máscara? Pode revisitar o passado e inspirar-se aqui.
- Medo e ignorância sobre doenças e quarentenas, misturadas com xenofobia e racismo, podem produzir combustível perigoso e mortal. O incêndio do New York Marine Hospital em1858, foi ateado com esses ingredientes e mostrou que o movimento NIMBY (not in my backyard – no meu quintal não) não é nada de novo. O New York Marine Hospital abriu em 1799 em Staten Island. Os locais nunca gostaram disso, alegando que estavam a ser infetados por pessoas de fora, nomeadamente imigrantes. Em 1948 lançaram uma petição para o Estado de New York transferir o hospital para o outro lado da ilha. Como isso não aconteceu, o próprio Conselho de Saúde local aprovou uma recomendação no sentido dos cidadãos acabarem urgentemente com aquela «abominável chatice» de modo a defender a sua saúde. E foi assim que, um motim devidamente organizado incendiou o hospital em dois dias. Kathryn Stephenson, autora de The Quarentine War: The burning of the New York Marine Hospital in 1858, argumenta que os incendiários foram liderados por proprietários, empreiteiros e construtores interessados em «remover um obstáculo ao desenvolvimento e ao investimento». Matthew Wills, in JSTOR Daily. Kathryn Stephenson refere ainda dois casos semelhantes. Em 1893, uma quarentena em Muncie, Indiana, lançada para responder a uma epidemia de varíola, provocou tiroteio e morte de vários funcionários públicos. Em abril de 2003, em Chagugang, milhares de pessoas invadiram as ruas e destruíram uma escola do bairro onde se preparava a instalação de um hospital de quarentena.
- A Turquia enviou ajuda médica ao Reino Unido, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro, Macedónia do Norte, Kosovo, Itália e Espanha. MEM.
- 7 universitários, incluindo Thomas Piketty, Anne-Laure Delatte e Antoine Vauchez, sugerem aumentar os impostos sobre os mais ricos para financiar a resposta à crise sanitária, reporta o Le Monde. Obrigado, Jorge Carvalho.


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