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terça-feira, 11 de junho de 2019

Bico calado

  • «O 10 de Junho é um cadáver que se exuma anualmente para as soturnas comemorações oficiais e o desfile de gatos-pingados. Os EUA exaltam o 4 de Julho, data da declaração da Independência, e fazem desse dia uma festa nacional. Que melhor razão para celebrar o dia do que o nascimento do país, que promulga uma constituição avançada e declara o direito à felicidade? A França fez da tomada da Bastilha, em 14 de Julho, o símbolo da liberdade, a festa da Revolução que aboliu as velhas monarquias de direito divino e deu origem às modernas democracias governadas por cidadãos que o voto popular escrutina. O Estado português escolheu, não a independência, não a glória das descobertas, não a liberdade, mas o óbito de um poeta, singular e grande, é certo, mas a morte, nem sequer o nascimento cuja data e local se ignora. Os EUA e a França festejam a liberdade e o povo exulta, Portugal evoca a morte e os portugueses deprimem-se. (…) Portugal prefere o velório à festa, a véspera da perda da independência à alvorada da libertação, a continuidade das cerimónias da ditadura à aurora de todas as liberdades, à festa do povo e à grandeza épica de Abril.» Carlos Esperança, FB.
  • «(…) Dizia o ofício da ERC que queria “a data de publicação e o número de página” dos artigos de opinião, e a data de publicação e o número de página das entrevistas dos candidatos, com a identificação dos respetivos partidos, durante a campanha “para o Parlamento Europeu no dia 26 de junho”. E mais ordenava que os pedidos “deverão dar entrada na ERC num prazo máximo de dez dias”. Mandei o que foi pedido, mas volto ao assunto porque o episódio veio confirmar uma velha dúvida: a ERC, que regula os jornais, pouco sabe dos jornais. A ERC não sabe, o que fica justificado, desde logo, pela pesporrência do tom que acompanhava a exigência: “deverão” e “no prazo máximo”. Já agora, porque não compra, ela, os jornais e neles procura, ela, as importantes informações que aqueles textos lhe trazem? Reparem, não estou a falar de uma entidade a que não são dados meios. Os orçamentos da ERC, de dinheiros públicos, e do DN, de dinheiros privados, sendo equivalentes, porque há de este fazer o trabalho daquela? A ERC, com os seus dinheiros, que regule; nós, com os nossos, que informemos. (…) Os meios que a ERC tem são escassos – o que explica uma penúria de pessoal que os leva a dizer que as eleições europeias foram a 26 de junho (e escreveu-o por duas vezes), quando foram em maio. Mas, sendo os nossos também escassos, porque carrega os nossos com trabalho dela? (…) Dias antes deste episódio de abuso, a ERC julgou o DN sem previamente o ouvir. Considerou ela que um título por nós usado – “Ganhar uma estrela Michelin é muito fixe. Mantê-la é que é o caralho” – merecia sanção. (…) Alinho argumentos de autoridade, bons para funcionários passadores de multas. Quando Gabriel García Márquez veio a Lisboa, em 1975, titulou a sua segunda reportagem na revista Alternativa assim: “Pero que carajo pensa el pueblo?” Olhem, aprendi esse facto num texto de Ricardo J. Rodrigues na Colômbia, em 2013. Na The New Yorker, a revista mais bem escrita do mundo, já li este título: “Não sou um Olho do Cu” (Nate Den, 8 de outubro de 2016). O jornalista Matt Taibbi publicou uma série de ensaios que foram bestseller no The New York Times, e a um dos quais chamou “O Maior Olho do Cu do Mundo” a Alan Greenspan, chefe da Reserva Federal americana. Autor de um livro sobra a palavra “foda-se”, o especialista Jesse Scheidlower conta esta regra da revista The Economist: “Se utilizas um palavrão escreve-o com as letras todas.” No The Guardian, em 2009, contaram-se 705 “fuck“; em 2012, 808 vezes. Deixou de se contar. A ERC é pilinhas – não digo isto para não dizer outra coisa, mas porque ela é só isso.» Ferreira Fernandes, in A ERC é pilinhasDiário de Notícias 8jun2019.
  • Chris Hedges discute com Nils Melzer, Relator Especial da ONU sobre Tortura, as condições da detenção de Julian Assange, a sua saúde psicológica e física, bem como os procedimentos judiciais contra o fundador da WikiLeaks. Youtube/RT.
  • «Leio no jornal espanhol El País do último Sábado (8 de Junho, pág. 27) que o Papa Francisco I se mostrou escandalizado com o marketing comercial do santuário de Lourdes (França), onde crescem as visitas, aumentam as receitas, e os peregrinos se transformaram em clientes turistas. Os visitantes do santuário viajam desde paragens longínquas na tentativa de ali encontrarem algum milagre que lhes alivie as vidas sofridas e cure doenças. O marketing comercial de Lourdes sobrepõe-se à fé, no sentido que o Papa quer que se entenda a fé na sua “humanização da Igreja”. Por isso, encarregou o arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, de meter mãos à tarefa de melhorar o cuidado pastoral dos santuários, a qual se inicia em Lourdes… mas presumo que não se ficará por aí. (…) Começando esta purga por Lourdes, será que vai chegar a Fátima? É que Fátima continua a ser o grande bastião da iniquidade… da exploração da fé e ignorância dos crentes vergonhosamente mantidos numa menoridade intelectual pelos párocos de todos os recantos desta república laica… que por acaso é presidida por um católico empedernido que rejubila com a imagem da santinha que os pastorinhos de Ourém elevaram ao altar e conduziram à construção de uma basílica (que já são duas), transformando o local numa outra Lourdes… que, pelos vistos, segundo Francisco I, é uma vergonhosa máquina de extorquir dinheiro a crentes intelectualmente indefesos!… (…)». Onofre Varela.
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