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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Bico calado

  • «(…) a máfia do futebol está em todo o lado. Querem passar a mensagem que ninguém se deve meter com eles (…) Tenho medo de que se puser os pés numa prisão portuguesa, especialmente em Lisboa, não saia de lá vivo (…) Quis perceber melhor o que se passava [no Caledonian Bank, devido à falência de vários bancos em Portugal]. Quis perceber o sistema das offshore (…) os dados que recolhi têm um potencial semelhante aos dos Panamá [Papers]. Mostra como as Ilhas Cayman foram sistematicamente usadas para lavagem de dinheiro e evasão fiscal.» DN.
  • «Estamos preocupados que esses documentos não sirvam para as investigações que têm de ser feitas contra o mundo criminal que salta à vista dos Footbal Leaks - não só em Portugal mas crucialmente em Portugal. E que os documentos sejam apenas usados para atingir o meu cliente». William Bourdon, in DN.
  • «(…) Por estes dias anda na ordem do dia a questão da expatriação para Portugal do whistleblower, sedeado na Hungria, que tanto ódio suscitou nos benfiquistas deste país. Ora o que ele denunciou, a exemplo do que fez com outros protagonistas do mundo do futebol mundial, foram negócios indecorosos, que nada têm a ver com ideais desportivos, e tudo com interesses mafiosos. Mesmo quando decorrem de branqueamentos fiscais, que não deixam de ser criminosos pelo facto de terem Ronaldo ou Messi por protagonistas? Se queremos que os plutocratas financeiros paguem os impostos correspondentes aos seus obscenos lucros, porque desculparíamos um qualquer jogador por ser do nosso clube ou seleção? Não equiparando Rui Pinto a Julian Assange e, muito menos a Edward Snowden - exemplos superlativos de denunciadores de práticas ilícitas, que deverão ser combatidas! - o que ele faz pode contribuir para limitar os danos ocorridos no futebol desde que os clubes deixaram de corresponder a culturas locais e regionais, para se transformarem em empresas apostadas em remunerarem o mais lautamente possível os acionistas que são os seus donos. E longe vai o tempo em que os jogadores até comiam a relva do estádio por amor à camisola, porque converteram-se em ativos, que se compram e vendem em função do potencial de rentabilidade inerentes a essas operações.(…) Jorge Rocha, in Futebóis e reações irracionaisVentos Semeados.
  • «Mas aqueles seis minutos deixaram-me chocado. Foram os impostos do próprio Goucha e de todos os portugueses que tiveram de cobrir as perdas da CGD e do Novo Banco. Ou seja, as estátuas, a grande casa, e tudo o resto que maravilhava Goucha foi pago, indiretamente, pelo bolso do próprio Goucha! Ver a vassalagem de Goucha para com Berardo na televisão foi dos momentos mais arrepiantes que vi na televisão.» Ricardo Reis, in Censura socialDinheiro Vivo. Sublinhe-se: Berardo deve cerca de 280 milhões de euros à CGD.
  • «(…) Aprendemos todos na escola que os bancos existem para financiar a economia, mas em Portugal aprendemos à nossa custa que é ao contrário: a economia existe para financiar a banca. E o que resta é quase tudo para financiar o Estado: não admira que nunca mais nos livremos do nosso ancestral atraso. Todos viveríamos melhor se não tivéssemos de pagar os impostos que pagamos e se parte deles, parte substancial deles, não fosse usada para pagar os desmandos, as malfeitorias ou os crimes do nosso clube de amigos da banca. (…) Querem comprar o BCP? Paguem-no com o dinheiro deles! Querem um autódromo no Algarve? Paguem-no com o dinheiro deles! Querem inventar um negócio impossível em Vale do Lobo, depois de terem urbanizado e vendido cada metro quadrado disponível? Paguem-no com o dinheiro deles! Mas não nos dêem hospitais miseráveis, bairros da Jamaica, comboios de Terceiro Mundo, quando chegamos a pagar 50% de impostos, só de IRS, e o dinheiro, em vez de ir para hospitais, habitação social e transportes decentes, vai para tapar os buracos cavados na banca por um grupo de gente deixada à solta a tratar de uma coisa da maior importância: o dinheiro dos outros. (…)» Miguel Sousa Tavares, in Um clube de amigos – Expresso.
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