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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Reflexão – Bem-vindos à Era das Migrações Climáticas

Foto: Darren Whiteside/Reuters

Bem-vindos à Era das Migrações Climáticas
por Jeff Goodell, in Rolling Stone 25fev2018.

Notas:

Cidades como Phoenix e Tucson tornar-se-ão tão quentes que atravessar a rua será uma aventura aterradora. Zonas do Middle West tornar-se-ão uma «dust bowl» permanente. O sul da Flórida e do golfo ficarão submersas. «As pessoas farão o que fazem há milhares de anos: migrarão para climas melhores», afirma Vivek Shandasprofessor de estudos e planeamento urbano na Portland State University.

Por volta de 2100, 13 milhões de norte-americanos serão desalojados devido à subida do nível das águas do mar, alerta Mathew Hauer, da University of Georgia. Cerca de 2,5 milhões só de Miami, Fort Lauderdale and West Palm Beach. New Orleans perderá 500 mil pessoas, New York City 50 mil. Todos preferirão deslocar-se para zonas com climas mais amenos, com boas infraestruturas e economias sólidas como Atlanta, Austin, Madison, Wisconsin e Memphis.

O Sudeste será o maior perdedor devido aos prejuízos causados por inundações crescentes, maior mortalidade por calor e menor produção agrícola - em alguns dos municípios mais pobres da região, os rendimentos cairão em até um terço. Pelo contrário, o Noroeste terá maiores produções agrícolas e menores custos de energia (devido a invernos mais suaves). «O futuro parece ser bom para os estados do noroeste do Pacífico, especialmente as cidades a oeste das Cascades, como Seattle e Portland», diz Amir Jina, economista da Universidade de Chicago. «Para o Sudeste, a cena não é muito bonita».

Os EUA tornar-se-ão cada vez mais uma nação de refugiados. As imobiliárias estão perante uma espiral descendente muito difícil de reverter. «É como a dinâmica no mercado de ações», diz Hsiang, da UC Berkeley. «Quanto mais tempo insistir em aguentar-se, mais terá a perder». E, em muitos casos, as regiões do país onde o negacionismo climático é mais forte, como o Sudeste, são exatamente as regiões onde os moradores terão mais a perder. 

A falta de água é outro problema. Neste momento, o Arizona obtém 40% da sua água do rio Colorado, 40% das águas subterrâneas e o resto doe rios mais pequenos e da reciclagem de água. O acesso do Arizona ao rio Colorado é particularmente vulnerável devido à diminuição da queda de neve. 

Sair é muitas vezes mais fácil do que tentar adaptar-se. Richard Hornbeck, professor de economia da Universidade de Chicago, que estudou profundamente o Dust Bowl, argumenta que os agricultores na década de 1930 poderiam ter-se adaptado às condições de mudança, plantando culturas diferentes ou transformando os seus campos em pastagens. Mas não o fizeram. «Havia inércia em manter tudo igual, e seria necessário muito investimento em certos tipos de máquinas agrícolas, para que as pessoas fizessem as mudanças necessárias», diz Hornbeck. Em vez de se adaptar, muitos simplesmente fugiram para a Califórnia.

Asheville e Flagstaff são uma espécie de refúgio, um retiro de montanha do calor de Phoenix e Tucson. O presidente da câmara de Flagstaff, Arizona, Coral Evans, admite que as alterações climáticas vão significar gentrificação e que isso significará desigualdade. Em Miami já há gentrificação climática. 
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