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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Requalificação da Barrinha de Esmoriz arranca em breve

Barrinha de Esmoriz vista de sul para norte, em 27 de outubro de 2007. Foto: Octávio Lima.

O Tribunal de Contas deu luz verde para o arranque das obras de requalificação da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos. Entre outras coisas, o projeto prevê a dragagem da Barrinha e a reconstrução do dique-fusível, dois pormenores que deverão merecer especial cuidado.

Primeiro, a dragagem. A dragagem da Barrinha vai retirar lamas há muito sedimentadas pela acumulação de efluentes não tratados e de resíduos de aterros levados a cabo ao longo de décadas. Estas lamas não deveriam ser espalhadas indiscriminadamente pelo cordão dunar adjacente sob pena de colocar em risco a biodiversidade daquele ecossistema. Terá de ser encontrada uma solução que, como sugere José Luís Ferreira, de Os Verdes, salvaguarde a segurança ambiental da fauna e da flora local.

Depois, o dique fusível. Esta solução não faz mais do que impedir, no verão, que as águas que continuam a chegar poluídas e mal cheirosas à Barrinha pela Ribeira de Rio Maior, provenientes de esgotos não tratados no concelho de Santa Maria da Feira, sigam o seu caminho para sul, para Esmoriz e, eventualmente, para o Furadouro. O dique fusível faz o mesmo que uma barreira de areia que, durante vários anos e na véspera do Verão, era erguida sorrateiramente por anónimos do concelho de Ovar. Dragar e manter o dique fusível é aceitar que os esgotos não tratados de Santa Maria da Feira continuem a poluir a Barrinha. O problema terá de ser resolvido a montante sob pena da «solução» agora lançada para jusante ser um remendo caro para os fracos recursos públicos.

Uma barrinha só é saudável se houver livre circulação de águas nos dois sentidos. Uma barrinha é um ecossistema com vida própria, evoluiu, não mantém o mesmo recorte, está sujeito a variações consoante o regime de marés, de marés vivas, de ventos. Querer impor-lhe um portão, querer domesticá-la, é imprudente. No mínimo irá ser um sorvedouro de dinheiros públicos provenientes dos impostos, nossos e europeus. Pior serão os impactos colaterais. Porque as pessoas têm que se convencer de que acabam sempre por perder quando se metem com a água. A água quer-se livre, sob pena de nos magoarmos ou de nela naufragarmos. 

Não quero dizer que não se faça nada. Pelo contrário. Para mostrar que se gosta da Barrinha bastará mantê-la limpa, acarinhada e vigiada. 

Sobre as atribulações da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, valerá a pena consultar o Ambiente Ondas3, por exemplo: (1)   (2)  (3)  (4)  (5)  (6)  (7)  (8)
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