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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Bico calado

  • «O facto de ser preciso adquirir manuais escolares diferentes todos os anos parece uma astúcia comercial mas é, na verdade, uma estratégia pedagógica: penaliza o repetente, obrigando-o a comprar novamente o Iivro do ano que acabou de reprovar, mas dá-Ihe uma nova oportunidade, permitindo-Ihe tentar a sorte com um Iivro diferente daquele que Ihe causou tantas dificuldades. Por outro Iado, o preço dos manuais é uma Iição que o estudante aprende ainda antes de ter aberto o Iivro: fica a saber que ainda não estudou o suficiente para deixar de ser burlado por editoras gananciosas. Também funciona como um incentivo para permanecer na escola. O alumo sente que tem de dedicar-se ao estudo atá deixar de ser parvo.» Ricardo Araújo Pereira, Visão 17set2015.
  • «’Nós nunca seremos oposição ao País’, proclamou, há dias, o dr. Pedro Passos Coelho, tão inexaurível na mentira como na desfaçatez e no desdém por nós manifestado. Ele sabe que, por artes malabares, tem muito boa Imprensa e a docilidade untuosa de uma televisão, ávida de recolher as suas frases vulgares e os seus movimentos programados. Nada disto é normal numa sociedade desejada limpa e digna. E numa comunicação social que legou pergaminhos de honra em épocas onde o medo era, também, a componente do dia-a-dia. Está na hora de travar este medo, de escorraçar a mentira que nos enreda, e de reconquistar a esperança que nos tem sido sonegada.» Baptista Bastos, CM 23set2015.
  • « É costume culpar o Ocidente por tudo e por nada do que acontece no mundo. Mas desta vez, nesta crise dos refugiados, a culpa é mesmo dos governos ocidentais. Primeiro, ao acarinharem a revolta da maioria sunita na Síria, para logo depois deixarem os sublevados sem ajuda, abandonados entre a ditadura de Assad e o jihadismo. A ideia, segundo parece, era não repetirem o “erro do Iraque”. Em vez disso, arranjaram o “erro da Síria”, com os seus milhares de mortos e milhões de refugiados. Durante anos, no entanto, tudo pareceu longínquo. Este Verão, porém, as imagens televisivas das migrações mediterrânicas inspiraram Angela Merkel a deixar correr que todos os que, através do Mediterrâneo e dos Balcãs, conseguissem chegar à Alemanha seriam alojados e alimentados de graça pelos contribuintes alemães. Merkel alcançou assim duas coisas. Uma foi diluir a má reputação que lhe deixara a crise grega: de repente, os mesmos que lhe andavam a desenhar bigodinhos à Hitler, cobriram-na com o véu de Madre Teresa. A outra coisa foi fazer a fortuna dos traficantes de seres humanos do Mediterrâneo, a quem, a partir daí, nunca mais faltaram clientes dispostos a correr riscos no mar. Quando 9 000 expatriados desembarcaram em Munique num só dia, Merkel fechou a fronteira.» Rui Ramos, Observador 23set2015.
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