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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bico calado

  • « (...) Passos é grande apreciador da conflitualidade inútil, e a quezília política costuma embrulhá-la em omissões e enganos, deixando atrás de si um rasto de pequenas indignidades. Não é só ele que fica amolgado na incredibilidade; a democracia está envolvida em papel pardo e não me parece que possa endireitar-se nos anos mais próximos. Esta nova arrochada, creio, apesar de tudo, que não pode passar na Comissão Nacional de Eleições. A admitir o ludíbrio, o PCP e os Verdes teriam de ser aceitos com a legitimidade de outra coligação, aliás mais antiga. Há algo de psicanalítico nestas avançadas do inquietante ‘duettino’ que tem tripudiado sobre a democracia com a desfaçatez de quem goza de total impunidade. A crítica é esvaziada de sentido, ou está ausente dos jornais; os recalcitrantes são afastados; os comentadores de televisão não causam dano moral nem reflexão: são os relatores do óbvio, ao serviço do poder e do estipêndio. Nem no tempo do fascismo a subserviência atingiu tal grau de indignidade. E a Resistência tocava, transversal, a sociedade portuguesa. Parece que o País está manietado com medo e com espanto. Os intelectuais recolheram-se à concha das suas vaidades e, ainda há pouco, um deles, antigo comunista, recebeu, sem pudor e sem integridade, trémulo de emoção, das mãos do dr. Cavaco um penduricalho que uma pessoa de bem recusaria com repulsa. As coisas chegaram a tal nível que tudo parece admissível. A manobra enleada pelo ‘duettino’ desta aceitação quase total da pouca vergonha tornou-se banal. Mas ainda há quem não desista de combater esta teia reticular de infâmias. E aqui estão, para o que der e vier. Baptista Bastos, Correio da Manhã 26ago2105.
  • «O homem [Marcelo Rebelo de Sousa], na Presidência, seria uma festa (tome-se a expressão como se queira), depois de termos, em Belém, essa alegria dos cemitérios que ainda por lá deambula, como um espectro malfadado.» Baptista Bastos in JNegócios 21ago2105.
  • «Rangel sabia que ia ser criticado. Que haveria conferências de imprensa e declarações ofendidas de juízes e magistrados do ministério público, que o PS se atiraria ao ar, que os comentadores o enterrariam. Pensou ele que tudo isso seria espuma dos dias se conseguisse o único objectivo que esta declaração pretende alcançar: fazer com que Sócrates volte a intervir, aproveitando a deixa e argumentando que tudo foi uma manobra partidária contra ele. Se isso acontecer, a notícia já não será o erro do Rangel, será o caso Sócrates metido na campanha eleitoral a quatro semanas do dia do voto. E a direita precisa disso por todas as razões. O ódio a Sócrates mobiliza o seu eleitorado, que está apático e cheio de dúvidas porque não acredita em Passos. O caso Sócrates faz tremer os sectores sociais do centro, que estão entre o PàF e o PS. E a coligação precisa desse suplemento de alma para acreditar que ainda pode recuperar os votos que tem perdido ao longo do desastre que foi a estratégia de “empobrecimento” de Portugal.» Francisco Louçã, Público 1set2015.
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